Alberto Tassinari

Certa visão de uma dessas esculturas pode mesmo provocar o asco. Uma outra visão da mesma escultura nos porá em face de algo como uma asa leve e inesperada. E tudo se faz sem muito barulho. Passa-se continuamente de uma coisa a outra. Feias entranhas começam pelo contorno de uma linha ondulada com graça. Ou então é um rasgo áspero que nos leva para dentro de uma luminosidade envolvente. Feitas de opostos - mas que convivem sem traumas -, as esculturas de Carlito Carvalhosa são como o ovo de Colombo. Princípio que as pôs de pé ainda se deixa ver em sua simplicidade: o escorrimento de uma superfície cilíndrica de cera em direção ao chão. Se muito esfriada, a cera originaria um cilindro. Tirá-la da fôrma antes do tempo poria tudo a perder. Com a cera no ponto, ou a procura deste, o artista controla a sua queda. Como velas no fim, suas esculturas mostram um resquício da forma original, enquanto o restante opera um pequeno milagre de solidificação da chama. (...)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.