Alberto Hiar

Filho de libaneses, foi feirante, comerciante e deputado; Hoje é diretor criativo da cavalera e prova que de ''turco loco'' todo mundo tem um pouco

Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2010 | 00h00

Como se tornou "Turco Loco"?

Cresci na periferia, no Ipiranga, sou filho de libaneses e, no Brasil, todo mundo é turco (risos). Trabalhei como tapeceiro, na feira com meu irmão e pai, mas queria ir atrás dos meus sonhos.

Sonho de trabalhar com moda?

Sempre fui ligado ao movimento surf, no skate, na música, na moda e comportamento jovem. Queria chamar atenção para isso e "virei" Turco Loco. Era como anunciava as roupas que vendia na TV. A fama me acompanhou até na política. Fui vereador, deputado estadual, mas não quero mais ser político.

Por que não?

Porque percebi que podia fazer muito mais pelas minhas causas e pela moda como empresário do que como político.

Por conta do preconceito?

É. Como taurino, queria fazer tudo bem-feito e não consegui. A moda não entendia o porquê de ter um representante. E o político dizia: "O que é moda?" Eles dizem "tem muita madame e gay". Dos dois lados, pensavam que eu queria ter privilégios eleitoreiros. Tentei, mas não sou Turco Loco o tempo todo.

Entre política e moda.

Escolhi a moda. Lembro da primeira vez que falei com o Mario Covas, governador e um dos políticos que eu mais respeitava. Ele disse que só falava de moda e surf. Perguntei: "Vou falar do quê? Você não conhece a força desse universo. O senhor está por fora." A partir daquele dia, ele passou a me respeitar e virou um avô para mim.

Nestes 15 anos de Cavalera, você acompanhou a evolução da indústria fashion nacional?

É, mas meu trabalho começou antes, no Brás ainda. Depois criei a OM (Oceano Mediterrâneo) e, nos anos 90, a Vision e a V. Rom. Nessas décadas, vi o brasileiro começar a ter cultura de moda, mas ainda há muito que fazer. Em muitos países, a gente vê uma mulher com uma bolsa de grife autêntica no metrô, por exemplo. Aqui, a alta moda ainda é privilégio de poucos.

Falta popularizar a moda?

Falta. Veja a TV. Hoje há o GNT e o Esquadrão da Moda no SBT. Pode-se gostar ou não, mas o grande público já começa a se questionar mais sobre como se vestir com estilo sem gastar uma fortuna. Você já reparou que há mais revistas de moda no Brasil do que sobre futebol?

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