Alberto da Costa entra para a ABL

O embaixador Alberto da Costa e Silva foi eleito ontem para a cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras (ABL), por 34 votos, entre os 38 válidos, na maior unaminidade conseguida nos último pleitos da Casa. Ele concorria com o líder de movimentos negros Batista Dê, na sucessão do médico Carlos Chagas Filho. Houve quatro abstenções (Jorge Amado, Roberto Campos, Roberto Marinho e Afrânio Coutinho) e 21 acadêmicos foram levar seus votos pessoalmente, entre eles a escritora Rachel de Queiroz, que estava ausente há mais de um ano por motivo de saúde e foi aplaudida quando chegou.Ontem à tarde, Costa e Silva, um paulista de 69 anos, estava tão certo de sua eleição que não renunciou nem à sesta diária e se preparava para receber mais de cem pessoas, tão logo acabasse a votação. "Tenho pelo menos 30 votos garantidos", avisava. Ele concorreu pela segunda vez. A outra foi em março do ano passado, na sucessão do general Aurélio de Lyra Tavares, mas o embaixador só teve 14 votos e o eleito foi o jornalista Murilo Melo Filho. "Hoje ele é meu principal cabo eleitoral", conta o embaixador. Costa e Silva é poeta e historiador. Costa e Silva viveu na África três anos e meio, como titular das embaixadas na Nigéria e Benin, e especializou-se nesse continente. Ele considera A Enxada e A Lança seu principal livro sobre o assunto e prepara mais dois, um sobre a escravidão na África e outro com o título de Um Rio Chamado Atlântico. "É assim que vejo o mar que nos separa porque a África é nossa vizinha ao Leste", teoriza ele.Aposentado há quatro anos, ele diz que agora só escreve. "É o que mais gosto de fazer", confirma. "Estar na Academia é o ápice da carreira de todo intelectual, pois esta é a instituição mais prestigiosa do País", prossegue. "Lá, como em toda minha vida, quero lutar pela aproximação do Brasil com seus antepassados."Prêmios - Hoje, a ABL entrega seus prêmios de 2000. O principal é o Machado de Assis, ao escritor Antônio Torres. Clair de Mattos recebe o Prêmio de Ficção por Mosaico em Branco e Preto. O poeta Manoel de Barros ficou com o de Literatura Infantil por Exercícios de Ser Criança; o de poesia foi dividido entre Dora Ferreira da Silva (Poesia Reunida) e Moacyr Felix (Singular Plural) e o de ensaio foi para Nelson Mello e Souza (Modernidade: Estratégia do Abismo).

Agencia Estado,

27 de julho de 2000 | 18h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.