Alaor, um caipira sob medida para Sérgio Mamberti

Com um jeito irreverente, o ator Sérgio Mamberti "roubou a cena" na novela Estrela Guia, que vai ao ar pela "Rede Globo" às 18 horas. Aos 62 anos e acumulando 40 anos de carreira (e depois de participar de mais de 60 peças teatrais, 40 filmes e 20 novelas), Mamberti ainda surpreende criando tipos marcantes como o simpático fazendeiro Alaor, personagem que o transformou em um dos destaques da trama de Ana Maria Moretzsohn. O sotaque caipira e a fala arrastada não foram inspirados em nenhuma figura conhecida, mas podem ser facilmente encontrados pelo interior de São Paulo, embora seu personagem seja natural de Goiás. "Posso dizer que tenho uma verdadeira ´galeria´ de inspirações no meu inconsciente", ressalta o ator, citando nomes de alguns colegas de profissão como Lima Duarte, Ary Fontoura, Paulo Gracindo, Armando Bogus, entre outros. O fazendeiro Alaor, casado com a infiel perua Daphne (Lília Cabral), possui um vocabulário muito particular. Mérito do próprio Mamberti, que obteve permissão da direção para trabalhar as características do personagem e inventar alguns bordões criando sua "marca registrada". Militante do Partido dos Trabalhadores (PT) há 15 anos, Mamberti explica que "empresta sua cara" para levantar a bandeira da cultura e educação no Brasil. Mamberti foi um dos responsáveis pela elaboração do Programa de Cultura de de São Paulo, quando Marta Suplicy assumiu a prefeitura da cidade. Agência Estado - De quem foi a idéia de "enfeitar" o sotaque do Alaor? Sérgio Mamberti - Meus personagens são bastante diversificados, seja na TV, no teatro ou no cinema. Gosto de os deixar bem ecléticos. Na "Globo" sempre faço os finos, os mordomos ou os bonachões. Como o Alaor é de Pirenópolis, interior de Goiás, me inspirei no sotaque caipira do interior de São Paulo para dar uma graça diferente. Inclusive, acrescentando bordões próprios, não é?Isso mesmo. "Crucré-corró", que quer dizer "cruz credo, que coisa horrorosa"; ou então "suscri", que é "Jesus Cristo"; "cavi", que é "nunca vi"; ou então "temavi", para dizer que algo "tem fundamento" e por aí vai. Descobri que essas expressões haviam se tornado bordões quando a produção começou a falar como o Alaor. Depois aconteceu o mesmo com as pessoas nas ruas. Achei muito legal o Alaor ser reconhecido pelo público.E quanto à relação entre o Alaor e o filho, o Carlos Charles (Rodrigo Santoro)? Até o final da trama, ele conseguirá mudar a rebeldia do rapaz?Na verdade, o Alaor é um elefante em uma vitrine de cristal. Ele tem um lado ingênuo e outro rústico. Ele é meio bronco, mas é honesto. Até briga muito com o "diabo de saia", que é sua esposa Daphne, mas ele a adora. A relação dele com o filho é meio difícil. Alaor não aceita as coisas que o jovem faz e acredita no trabalho como a única saída. Ele acha que o filho tem que pagar pelo que fez porque seus atos são inaceitáveis. Vamos ver como será o final. Isso ainda não sabemos.Você continua dedicando parte de seu tempo à política? Sou militante do PT há 15 anos. Considero minha militância muito importante, porque empresto minha cara o tempo todo em nome da arte e da cultura no Brasil. Em São Paulo até participei da elaboração do Programa de Cultura de São Paulo. Mas o problema é que a Cultura ainda é o "patinho feio" do governo. Quanto a ter problemas com a militância por ser ator, democraticamente nunca tive problemas.Sua família inteira é composta por artistas, não é?É verdade. Começa pelo meu irmão Cláudio Mamberti, que também é ator. Depois os meus filhos: Duda, que é ator; Carlos, que é produtor cultural e também meu agente, além de cuidar da programação do teatro Crowne Plaza; o Fabrício, que é diretor de TV e cinema e agora a minha filha Daniele, de 16 anos, também está fazendo curso de interpretação. Outro dia, o meu netinho João, de 10 anos, filho do Carlos, pediu para que eu o contratasse para uma peça infantil. Ainda não dei resposta... (risos). E também já está para nascer minha netinha Olívia, filha de Fabrício, quem sabe não é uma futura atriz que vem por aí?...E além de curtir a chegada da netinha, quais são seus planos para depois da novela?Estamos para fazer a peça de teatro Fora do Eixo, do Mauro Rasi, ainda sem data de estréia. Será uma comédia musical. Também vou participar do filme Três Histórias da Bahia, no episódio Agora é Cinza, onde farei o papel de Rei Momo. A direção é de Sérgio Machado. Este filme será lançado em 31 de maio, em Salvador, Bahia.

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