AIR LANÇA SUA VIAGEM À LUA

Georges Méliès está na moda. E não é só Martin Scorcese -com o fascinante Hugo Cabret - que faz do visionário cineasta francês referência de fantasia e trucagem. Na segunda-feira, será a vez do Air, ícone da desgastada french touch, levar ao público sua reverência ao homem que inventou os efeitos especiais. A adorada dupla parisiense lança Le Voyage Dans La Lune, primeira trilha sonora original para a obra-prima de ficção científica Uma Viagem à Lua (1902). Com 14 minutos, a película de contornos psicodélicos não tinha cor, tampouco som. Méliès, gênio prolífico, tentou contornar a limitação técnica dos primórdios do cinema desenhando cada um dos frames do filme. Essa versã foi dada como perdida, vista por quase ninguém, sacramentando a projeção em preto e branco.

EMANUEL BOMFIM , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h07

Mas no início de 1990, um colecionador anônimo entregou uma cópia colorida à Filmoteca da Catalunha, Barcelona. Estava tão deteriorada que necessitou de quase dez anos para restaurá-la. Os responsáveis pelo projeto convidaram Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel para criar uma ambiência sonora para a fábula centenária. No espectro eletrônico abraçado por ambos, entre a nostalgia e o futurismo, figura uma canção pop de apelo cinematográfico inegável. Vale ressaltar os propósitos compactuados pelo duo, tão bem expressos na sigla que dá nome à banda Amour, Imagination, Rêve (amor, imaginação, sonho). "Méliès viu o futuro, viu as pessoas indo à Lua, mas depois de assistir ao filme colorido, acho que ele também viu os anos 60", disse Godin ao The Guardian. Após 11 faixas, a sensação é que Le Voyage Dans La Lune tem vida própria, funciona mesmo sem a projeção visual. O mais importante já foi preservado: a vontade de sonhar.

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