Ainda são poucas as oportunidades de trabalho

O trabalho de curadoria, que parece estar despertando crescente interesse entre jovens interessados no mundo da arte contemporânea, é de difícil definição e assume características bastante diversas, que variam de caso a caso. Trata-se de um somatório amplo de funções, que no passado eram usualmente exercidas de forma mais fragmentada. Misto de crítico de arte, museólogo e produtor de eventos, um bom curador deve ter olhar atento, amplo conhecimento e dedicação. Como sintetiza Alexandre Dias Ramos, organizador do livro Sobre o Ofício do Curador, "o conhecimento da maioria destes curadores brasileiros não foi adquirido nas universidades", mas por meio de pesquisas e experiência concreta.

Maria Hirszman, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2011 | 00h00

Mesmo que as coisas pareçam estar mudando um pouco, com o surgimento de grupos de trabalho, cursos e projetos de estímulo de novos curadores, não é coisa fácil obter essa experiência num mercado restrito e inseguro. Apesar de despertarem cada vez mais atenção - no passado a função de coordenador de exposições parecia menos glamourosa do que agora, em função da grande visibilidade trazida pelos grandes eventos e pelo grau de sofisticação das grandes montagens -, ainda são poucas as oportunidades de trabalho. E não é por acaso que os grandes profissionais da área no Brasil são, antes de tudo, professores universitários, funcionários de instituições museológicas e vários deles trabalharam ativamente na imprensa, produzindo críticas. O problema é que os museus brasileiros são poucos e relativamente pobres, organizando-se com equipes bastante enxutas e estáveis. A imprensa dedica cada vez menos espaço à análise crítica. E as galerias, responsáveis por parcela cada vez maior das mostras e eventos, também pouco investem em profissionais do gênero.

Vemos aqui e ali algumas mostras organizadas por profissionais convidados a revisitar o acervo e organizar leituras pessoais e alguns colecionadores que contratam curadores para assessorá-los. No entanto, a única demanda permanente (e crescente) é por textos de catálogos, mas trata-se de algo esporádico e muitas vezes mais de uma apresentação que necessariamente tem de ser positiva do que de um embate real com a produção.

Talvez o principal caminho de formação de uma nova safra de curadores passe, ainda, não pelos esperados caminhos institucionais, mas sim por uma parceria ativa com os artistas - que precisam de ajuda para aparar as arestas do caminho num mercado cada vez mais exigente e ávido por uma carga conceitual -, num sistema de troca de ideias e experiências bastante enriquecedor para ambas as partes.

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