Ainda bem que a vida é deles

Faz parte do jogo a gente se deixar enganar pela telenovela, principalmente quando o título tenta vender alguma tese, algo mais do que a história em si. E eu fiquei mesmo achando que A Vida da Gente tinha a ver com uma novela sobre o cotidiano por si e as pessoas que não parecem personagens. No começo, acreditei tanto na proposta da autora Lícia Manzo, que cheguei a pensar que seria mais interessante acompanhar a vida da Conchita, a manicure, em vez da vida da Ana (Fernanda Vasconcellos), a protagonista da novela das 6.

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h08

Mas que nada. A gente dessa novela, como diria minha tia Sebastiana, atirou pedra na cruz, ou atravessou a rua de costas, como não recomendava meu tio Ângelo - é uma reunião de desajustados e mal-resolvidos, alguns grosseiros, outros traidores; uns folgados, outros "focados" além da conta. Será que a gente é assim? Por que que a gente é assim?

Gosto da novela, acho a história boa e com um estilo Manoel Carlos, presente em vários detalhes da trama e composição dos personagens. Mas como telespectadora delirante, sinto alívio ao pensar que "ufa, a vida é deles". São muitos problemas por metro quadrado, já reparou? Uma das personagens mais divertidas é a Moema (Claudia Mello), que tem um marido moribundo em casa e, por tanto acudi-lo, acha que pode bancar a médica com os vizinhos. No seu caminho aparece o hipocondríaco Wilson (Luiz Serra), e eles engatam uma paquera. Não é demais?

E a Vitória (Gisele Froés)? Queria muito um flashback que mostrasse o momento que ela e o Marcos (Ângelo Antonio) se apaixonaram, resolveram se casar e ter filho. Não é um caso de sadomasoquismo crônico? Não tenho dúvida de que acontece na vida real. Mas, no fim das contas, acho que toda novela, seja mais ou menos fantasiosa, é sobre a vida da gente. Mas é que no caso da novela das 6, é um alívio dizer que ainda bem que a vida é deles.

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