Agora sim: o vinil é o novo vinil

EM SEATTLE

Lúcio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

Mídia principal nos anos 60 e 70, praticamente morta no final dos 80, rebaixada à categoria de "artigo de colecionador" ou "material de trabalho de DJs" nos 90 e 00. E em 2010...

Uma passeada pelas principais lojas de discos de uma cidade grande americana como Seattle, de vasta tradição sonora, e quase já dá para falar, agora sem medo de parecer exagerado, que ele oficialmente retornou. E aparentemente mais forte.

Sim, o vinil voltou a ser um dos produtos top da indústria da música e quer de volta seu lugar (ainda) ocupado hoje pelo CD, esse sim fadado a virar zumbi dos novos tempos.

Antes relegado à prateleira de fundo, o vinil já ocupa grande parte da Easy Street Records, imponente loja de discos da capital do grunge numa época de hoje em que quase nenhuma loja de discos no mundo é imponente. É assim também na Sonic Boom. Ou na Wall of Sound.

Não longe de Seattle, no Canadá, há algumas semanas foi lançado uns dos principais discos do ano, já, o da banda canadense Arcade Fire. Uma semana antes da data marcada como oficial de lançamento, uma carga de discos em vinil foi colocada nas lojas, como promoção local antecipada. Esgotou-se rapidinho.

Grandes clássicos do rock e importantes álbuns atuais estão saindo aos montes na pomposa versão 180 gramas (um vinil normal pesa entre 120 e 140), edição de luxo, mais pesada, mais grossa, mais bem prensada, o que resulta numa melhor qualidade de som.

Jack White, da banda White Stripes e Dead Weather, tem uma pequena gravadora especializada em lançamentos em vinil, a Third Man Records. Neste ano, no importante festival South by Southwest, a Third Man montou uma pop up store para vender vinil no chamado "Texas-size", de 13 polegadas (o tamanho normal de álbum é 12).

O número de vitrolas voltou a aparecer com destaque em lojas americanas de artigos eletrônicos nos últimos dois anos. Em lojas modernas como a enorme cadeia Urban Outfitters, que revende roupas jovens de grifes cool, artigos descolados para a casa, livros selecionados e álbuns de bandas indies, esses últimos estão expostos quase na totalidade em vinil. E há algum tempo a Urban vende vitrolas, modernas, com saídas USB para quem quer ligar um computador a elas e digitalizar as músicas do vinil novo ou aquelas dos vinis antigos guardados.

Até bandas indies nacionais estão dando tanta prioridade à música digital quanto ao vinil, caso de recentes lançamentos em 12 polegadas (álbum) ou 7 (single) de bandas como Nação Zumbi, Cachorro Grande, Dead Fish, Dead Lovers e Boss in Drama, entre vários outros.

Quem diria, o velho vinil sendo a solução antifalência da confusa indústria da música atual.

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