Agamenon e seu 'talento', desse tamanhinho, ó

Já virou regra do mercado - todo começo de ano tem havido a estreia de um blockbuster brasileiro que chega para arrebentar. As Aventuras de Agamenon é a bola da vez e a curiosidade é saber se o filme será a confirmação da regra ou a exceção que vai contestá-la. Afinal, O Palhaço, de Selton Mello, já mostrou que existe uma terceira via para o cinema brasileiro, que não precisa ficar entre o filme miúra, de autor, e a comédia descerebrada, como esta. É perda de tempo assinalar que Agamenon é grosseiro, vulgar. Se o filme fracassar, não será por isso. As aventuras do repórter, além de episódicas, são tratadas de forma realmente isolada. É como se houvesse uma pausa entre uma e outra. O ritmo cai por terra. Algumas coisas são 'quase' divertidas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá seu depoimento sobre a contribuição de Agamenon à consolidação da democracia no País. Sério, FH revela-se melhor ator do que Caetano Veloso, que parece constrangido em sua fala. E ambos não são páreo para Ruy Castro, quando mede o tamanho do talento de Garrincha, nem Nelson Motta. Este tem dado tantos depoimentos que se pergunta, perplexo, para que filme está falando agora. Tão divertida quanto essa é a cena do pingue-pongue com Bin Laden. É pouco para um blockbuster, e ainda são piadas sofisticadas demais.

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h08

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