Afroelectro lança disco de estreia com show em SP

Um breve giro pela produtiva cena de música afrocêntrica em São Paulo ilustra uma teia de esforços indissociáveis. Sérgio toca com Criolo e colabora com Kiko, tem banda com Dennis, que toca com Rômulo, e por aí vai. O Rômulo é o Nardes, do Bixiga 70, e o Kiko é o Dinucci, do Metá Metá, grupos expoentes da afro influência paulistana.

AE, Agência Estado

14 de agosto de 2012 | 10h30

Sérgio é o Machado, líder e baterista do Afroelectro, grupo de DNA afro polivalente que lança nesta terça-feira, no Sesc Pompeia, em show grátis, seu primeiro disco. "Todos os grupos envolvidos com esse tipo de música são amigos próximos. A gente vive esse processo de valorização da música africana em São Paulo há algum tempo já", conta.

No início, há cerca de seis anos, não havia festas, apenas um fascínio entre a comunidade de músicos por Fela Kuti, o rei do afrobeat. Então surgiram grupos como o bando Afromacarrônico, de Dinucci, festas como a Bafafá, no Tapas Club, orquestras como a Bixiga 70 e a Abayomy, do Rio, até que a polirritmia africana ganhasse palco próprio na Virada Cultural, este ano.

Mas a herança vinda do outro lado do Atlântico é infinita, e como mostram já na primeira faixa do disco de estreia, em que acoplam versos do poeta-vaqueiro nordestino Luiz Dantas Quezado a ritmos do Senegal, a ideia do Afroelectro é beber em fontes variadas. "Nosso conceito de música africana é amplo. Houve um pouco de dificuldade no início, pois as pessoas precisavam de uma referência, algo que dissesse ''isto aqui é música africana''", explica. "Elas procuravam o afrobeat, mas queriam dizer música africana."

Sérgio então começou a praticar uma espécie de ensaio aberto, em 2009, como parte da programação da festa Bafafá. O resultado foi uma banda cuja proposta é destilar vibrações menos conhecidas, do Guiné, ao Mali, ao Maranhão. Em função de padroeiros da banda, ficam a Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou, grupo do Benin, que ressurgiu do ostracismo após seus arrebatadores discos dos anos 60 e 70 serem relançados (vide Echos Hypnotiques, volumes 1 e 2), e também Tinariwen, o grupo Tuareg de afro blues do Saara.

Mesmo assim, em toda a cena, o Afroelectro se destaca como um dos grupos com mais forte identidade afro-brasileira, algo natural, pois na adaptação cultural brasileira dos ritmos africanos encontra-se um mar infindável de possibilidades. "Esse projeto nos fez enxergar que muito do que valorizamos na música africana já existe aqui. Boi, maracatu, cavalo-marinho... Temos muita história aqui." Adicione Radiohead à mistura para completar o quadro de influências do Afroelectro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AFROELECTRO

Sesc Pompeia - Choperia (Rua Clélia, 93). Telefone (011) 3871-7700.

Terça, às 21 h. Grátis.

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