África: partir ou ficar?

Em um ano não muito distante - 2016 - um decreto governamental obriga todos os negros do País a serem deportados de volta para a África. A medida instaura o pavor entre aqueles que possuem "melanina acentuada": terminologia que a peça Namíbia, Não! usa para se referir aos afrodescendentes.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Agraciado com quatro prêmios ainda antes de chegar ao palco, o texto do ator baiano Aldri Anunciação resvala no absurdo para tratar de racismo e identidade. E não tem pudor de recorrer ao humor para expor as contradições e dilemas criados pela situação.

Com o intuito de escapar da perseguição, dois primos trancam-se dentro de um apartamento de ares futuristas. Valem-se do artigo 150 do Código Penal, que resguarda a inviolabilidade do lar.

Entre quatro paredes, porém, põem-se a discutir o sentido de tal decisão e assumem posturas antagônicas. Como largar tudo e ir para a África? Talvez seja uma volta às origens. Talvez seja só uma terra estranha, da qual pouco ou quase nada se sabe.

"Queria propor uma síntese Brasil-África. Refletir sobre esse continente do qual ainda temos uma imagem estereotipada", diz o autor, que também aparece em cena, na pele de Antônio, um bem-sucedido advogado. Do outro lado. Flávio Bauraqui vive André, estudante de Direito e entusiasta do retorno à terra dos antepassados.

A encenação, conduzida por Lázaro Ramos, tem luz assinada pelo celebrado Jorginho Carvalho e recorre a uma profusão de vídeos e gravações - nas quais é possível reconhecer a voz de Wagner Moura.

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