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Afinal, uma festa à altura de Portinari

Painéis Guerra e Paz, da ONU, voltam ao Brasil em clima de celebração

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Uma celebração do gênio de Cândido Portinari (1903-1962) será realizada no Teatro Municipal do Rio em dezembro, tal qual há 54 anos. A volta ao País dos painéis Guerra e Paz, que o pintor brasileiro fez sob encomenda para a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, será festejada com música e com a participação popular, como desejaria o artista.

Já estão programadas (as datas ainda estão sendo fechadas) apresentações, com a orquestra e o coro da casa, do War Requiem (Réquiem da Guerra), do britânico Benjamin Britten, e da Nona Sinfonia de Beethoven, escolhidos por se relacionarem aos temas desta que é a maior obra mural brasileira, e mais importante já doada à ONU: o desespero e a destruição advindos das guerras, a alegria e a serenidade intrínsecas aos tempos de paz.

Também é aguardado um show de Milton Nascimento, que foi convidado a participar por João Cândido Portinari, filho e guardião da memória do pintor (ele criou há 31 anos o Projeto Portinari, que funciona na PUC do Rio, onde lecionou, no Departamento de Matemática). João explica o parentesco entre os dois: "Milton canta que "todo artista tem de ir onde o povo está" e Portinari escreveu que "não conhecia nenhuma grande arte que não estivesse intimamente ligada ao povo"."

Brodósqui. Milton aceitou o desafio de compor sob influência da pintura de Portinari e fez uma visita ao pequeno Museu Casa de Portinari, em sua cidadezinha natal, Brodósqui (SP), na região de Ribeirão Preto. Trata-se de uma antiga residência dele. Portinari voltava à sua terra mesmo depois de muitos anos radicado no Rio (desembarcou rapazinho à antiga capital, em 1919, para estudar pintura).

O compositor mineiro, que passou a estudar a biografia do artista, chegou a dizer que "a vida inteira procurou pintar com música o que Portinari fez com o pincel". Agora é aguardar o resultado dessa mistura de notas e cores. Considerado pelo próprio pintor seu melhor trabalho, o qual dedicou a toda a humanidade, o mural - um óleo sobre madeira compensada -, tem crianças brincando, de um lado, e mães chorando a morte de seus filhos, em contraposição. A obra servirá de cenário aos espetáculos que forem realizados durante a semana em que ficará exposta no Municipal.

Os painéis, que voltam a NY em 2013, quando estará concluída a reforma do prédio da ONU, iniciada ano passado, embarca para o Brasil em novembro. Depois de quatro meses de restauração, no Rio, deve rodar o Brasil e o mundo - João Cândido sonha em vê-lo em lugares onde a paz é um sonho distante, como Teerã, Jerusalém e a Faixa de Gaza.

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