Afetos em cores e p&b

Resultado de um vasculhar de arquivos, mostra do fotógrafo Mario Cravo Neto vem para Estação Pinacoteca

SIMONETTA PERSICHETTI, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h11

Mario Cravo Neto (1947- 2009) é, sem dúvida, a expressão máxima da fotografia artística no Brasil, muito antes de que esse conceito ou essa discussão fossem tema de debates.

A fotografia como forma de expressão, como maneira de contar, de narrar, de se apropriar do mundo vislumbrado sempre fez parte desse artista, conhecido também por suas esculturas e pinturas. Não uma fotografia conceitual e mental, mas uma que traz à tona suas buscas, sua vontade de se expressar.

Seus trabalhos poderão ser vistos a partir de 27 de julho na Estação Pinacoteca, em São Paulo. Além de 45 fotografias em preto e branco, que são os ícones de sua produção, a curadoria de Diógenes Moura também traz uma projeção de 250 imagens coloridas feitas no final dos anos 1960, em NY, além de 30 imagens desse período e um "núcleo dos afetos" com cartas e fotografias da mesma época.

Uma exposição que começou a ser pensada pelo artista e pelo curador em 2006, com o vasculhar de arquivos. Um trabalho de garimpagem nas inúmeras imagens produzidas por ele. Um trabalho que foi interrompido em 9 de agosto de 2009 pela morte do artista. Seu filho, Christian Cravo, também fotógrafo, batalhou para que essa retrospectiva fosse realizada: "Era a vontade do meu pai e precisei lutar judicialmente para que ela pudesse acontecer". Sorte nossa.

Mario Cravo Neto é filho da Bahia. Isso transparece em suas obras. Andou por diversas searas das artes plásticas ao cinema, mas foi como fotógrafo que inscreveu seu nome no cenário internacional e nacional. Avesso a definições, atribui à sua vida as referências e influências que aparecem nos seus registros.

Em entrevista à repórter, em 2009, para o livro Encontros com a Fotografia (Editora Tempo d'Imagem/Fnac), afirmou: "É óbvio que, sendo baiano e vivendo nesse ambiente, você não tem escapatória. Qualquer fotógrafo, qualquer artista plástico que venha morar na Bahia com ideias neoconcretas escorrega na casca de banana ou no azeite de dendê".

É claro que o artista não defendia qualquer tipo de bairrismo e muito menos um folclorismo, mas a vida na Bahia é tão densa que o narrar desses aspectos e dessas vivências, de alguma forma, se torna inesgotável.

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