Afegão de O Livreiro de Cabul leva autora aos tribunais.

Shah Mohammed Rais, o homem que inspirou o livro de Asne Seierstad que é um sucesso mundial, processa a jornalista norueguesa por violação da vida privada

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h43

Shah Mohammed Rais, o homem que inspirou O Livreiro de Cabul, um retrato literário da sociedade afegã que obteve sucesso mundial, levará aos tribunais a autora da obra, a jornalista norueguesa Asne Seierstad, após o fracasso, nesta quarta, 6, da tentativa de acordo no Tribunal de Conciliação de Oslo. Rais processará Seierstad por violação da vida privada, depois que esta e a editora Cappelen se negaram a fazer um pedido de desculpas e a pagar a ele uma compensação econômica pelos problemas familiares que, segundo ele, o livro teria causado. Seierstad e a editora ofereceram doar 500 mil coroas norueguesas (quase € 62 mil) a uma nova fundação dedicada a promover a literatura afegã, com uma direção escolhida pela jornalista e pelo Livreiro. "A oferta não inclui nenhum pedido de desculpas, nenhum dinheiro para a família e determina que a própria Asne Seierstad deverá encontrar os meios para a fundação. É muito inocente e irreal", disse o advogado de Rais, Per Danielsen, à agência norueguesa "NTB". A escritora afirmou que a proposta é um reconhecimento do trabalho do livreiro em prol da cultura e da literatura afegãs e mostra que tem "um grande respeito por ele" e admira seu trabalho. Seierstad, ex-correspondente em Moscou, China, Kosovo, Iraque e Afeganistão, passou alguns meses na casa de Rais para elaborar a história de um livreiro de Cabul chamado Sultan Kan, retratado como um defensor da liberdade de expressão, enquanto age com sua mulher seguindo as regras do fundamentalismo islâmico. O livro foi publicado no segundo semestre de 2002 e se tornou em um best-seller, sendo traduzido para vários idiomas. O livreiro afegão considera que a obra trouxe graves problemas, já que uma de suas mulheres fugiu para a Noruega, onde pediu asilo, junto com quatro de seus filhos, e outra foi para o Canadá com outro filho. No ano passado, Rais publicou sua versão da história, intitulada Eu Sou o Livreiro de Cabul, publicado recentemente no Brasil pela editora Bertrand Brasil.

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