Advogados disputam cadáver e filha de Anna Nicole Smith

Advogados do namorado e da mãe da ex-modelo da Playboy Anna Nicole Smith travaram na terça-feira um duelo por seu cadáver, que de pouco serviu para resolver onde ela será enterrada. O quarto dia de audiências no tribunal da Flórida foi caótico, e o juiz parecia determinado a resolver não só onde sepultar Anna Nicole como também quem é o pai da filha de cinco meses dela - que deve se tornar o herdeiro da fortuna deixada por ela. Howard K. Stern, que era advogado e namorado da ex-dançarina de strip tease, disse ao tribunal que Anna Nicole gostaria de ser enterrada ao lado do filho, Daniel, que morreu há cinco meses, aos 20 anos, nas Bahamas, onde o casal vivia recentemente. "Ela queria se espalhar dentro daquele espaço em que ele estava (nas Bahamas)", afirmou o advogado, num depoimento a meia-voz. Stern disse que Anna Nicole havia comprado dois jazigos, pagando-os com cheques pessoais. Mas admitiu que foi ele quem assinou os contratos de compra, já que a namorada mal saía da sua mansão, em Nassau, por causa do assédio dos fotógrafos. O juiz Larry Seidlin tem de resolver se o corpo de Anna Nicole, morta no dia 8, deve ser entregue a Stern ou à mãe dela, Virgie Arthur, com quem a modelo estava rompida, para que seja enterrada no Texas. Mas o local da sepultura não é a única coisa em jogo. O espólio de Anna Nicole pode vir a valer mais de meio bilhão de dólares dependendo do resultado de uma outra disputa judicial, que se arrasta há dez anos, pela herança do marido dela, o milionário do petróleo J. Howard Marshall. Daí a importância da definição da paternidade de Dannielynn Hope Marshall Stern, de cinco meses. Trágica morte Larry Birkhead, que foi namorado de Anna Nicole, diz ser o pai, embora seja Stern quem assim conste na certidão de nascimento da menina, nascida três dias antes de Daniel morrer no quarto de hospital de Anna Nicole, provavelmente vítima de uma perigosa mistura de drogas. O corpo de Anna Nicole passou mais de uma semana em uma câmara refrigerada do IML do condado de Broward, Flórida, onde ela foi encontrada morta, num quarto de um hotel-cassino, por causas não explicadas. Tinha 39 anos. No fim-de-semana, o cadáver foi finalmente embalsamado, após grande dificuldade para encontrar uma funerária que assinasse um acordo de confidencialidade. TVs e tablóides estariam dispostas a pagar centenas de milhares de dólares por imagens do corpo. "O corpo agora está a salvo e seguro", disse Richard Millstein, advogado nomeado pelo tribunal para tratar dos interesses da menina Dannielynn. Em sua sala coberta por cartazes de cinema, o juiz Seidlin disse estar preocupado acima de tudo com o bebê, lembrando que um dia ele poderá ver os vídeos das audiências, transmitidas ao vivo pela TV. "Queremos dizer a ela que demos dignidade e decoro a este procedimento", afirmou. Os advogados, porém, não colaboraram muito: passaram a audiência inteira tergiversando, trocando gritos e fazendo queixas ao juiz.

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