Advogados de Polanski querem investigação de erro judicial

A vítima de um caso de estupro envolvendo Roman Polanski em 1977 disse nesta terça-feira que espera a conclusão definitiva do caso agora que a Justiça suíça rejeitou a extradição do cineasta para os Estados Unidos, mas advogados dele pediram uma investigação sobre uma suposta falha judicial ocorrida há mais de três décadas.

REUTERS

13 de julho de 2010 | 20h24

Polanski fugiu dos Estados Unidos em 1978, antes de ser sentenciado pelo caso, e em setembro do ano passado foi detido na Suíça sob o risco de ser extraditado. Desde segunda-feira, voltou a ser livre.

Samantha Geimer, que tinha 13 anos em 1977, quando Polanski lhe deu drogas e champanhe e fez sexo com ela, já pediu repetidamente para que o processo fosse encerrado, mas a promotoria insiste em levar o caso adiante.

"Estou satisfeita com a decisão e espero que o promotor distrital agora encerre o caso de uma vez por todas", disse Geimer, hoje com 46 anos e mãe de três filhos, à rádio francesa Europe 1.

Na época, Polanski fez um acordo com a Justiça para se declarar culpado e ser condenado apenas a 42 dias de prisão, tempo que ele já havia ficado detido. Ele fugiu porque achou que o juiz do caso, que já morreu, iria trair o acordo.

As autoridades suíças rejeitaram o pedido de extradição por causa de falhas processuais e por não ter ficado claro se o cineasta já não havia cumprido a pena em 1978.

Há anos os advogados de Polanski apontam falhas no processo judicial. Nesta terça-feira, a defesa dele em Los Angeles divulgou nota afirmando que "a evidência (de falha judicial) não era insignificante, e o fracasso em apresentá-lo (aos suíços) não foi nem acidental nem uma 'tecnicalidade', como disseram alguns."

Eles disseram que os erros judiciais deveriam ser investigados por "uma terceira parte justa e imparcial" e que os resultados deveriam ir a público.

O promotor Steve Cooley disse na segunda-feira que vai continuar empenhado em levar Polanski à Justiça "se ele for preso numa jurisdição cooperativa."

A esposa do réu, a atriz e cantora francesa Emmanuelle Seigner, disse ao jornal Libération que a decisão suíça foi um grande alívio, "o fim de um pesadelo, acima de tudo para os nossos dois filhos."

O paradeiro de Polanski não era conhecido nesta terça-feira, mas há rumores de que ele teria viajado para a França.

(Reportagem de Julien Ponthus, em Paris; e de Jill Serjeant, em Los Angeles)

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