Adriane Galisteu vive lésbica no palco

Uma voz muito, muito conhecida de Adriane Galisteu soou em seu ouvido sempre grudado no celular ou no ponto eletrônico e ela mal pôde acreditar: era Paulo Autran. Estava pensando nela para um papel numa peça para estrear em março. "O Paulo Autran em pessoa! Quase caí da cadeira", ela recorda. A apresentadora de É Show!, que vai ao ar ao vivo cinco vezes por semana pela TV Record, abriu rapidinho um espaço na agenda e se apresentou, no dia seguinte, na casa de Autran, um apartamento de boas telas e tapetes persas na Alameda Casa Branca. "Leia isto", ele pediu a uma Adriane sentada imóvel, com o coração aos pulos, na pontinha do sofá. E ela leu, com toda a naturalidade possível numa situação dessas, as falas que ele lhe indicou. Foi aprovada imediatamente para o papel de Leslie, uma jovem aristocrática, campeã de golf e... lésbica! Leslie é um dos seis personagens da peça Dia das Mães, de Jeff Baron, o autor de Visitando o Sr. Green, em cartaz em São Paulo com casa lotada há meses. A história se organiza em torno de uma mãe autoritária e arrogante (Karin Rodrigues), viúva há um ano, que acredita controlar a vida dos dois filhos (interpretados por Adriane Galisteu e Petrônio Gontijo), da nora (Ilana Kaplan) e de uma irmã que mora com a família (Sonia Guedes). As relações meio-rancorosas-meio-amorosas, típicas de toda família, fluem conforme o esperado até que, quase na hora de o jantar ser servido, chega, sem aviso prévio, a namorada da filha (interpretada por Patrícia Gaspar). O choque que isso provoca gera as situações que o autor utiliza para dinamitar as crenças e desesperanças estabelecidas, e insinuar as possibilidades de transformação que alimentam o drama. Adriane, que passa cinco noites por semana no estúdio e não tinha mais ambições teatrais, depois de trabalhar com Bibi Ferreira em Deus lhe Pague, fez uma daquelas manobras rápidas, cantando pneus. "Eu não podia perder uma oportunidade dessas", explica. Negociou na emissora gravar previamente o programa das sextas-feiras e vai ficar três meses em cartaz em São Paulo. Quando a peça for excursionar ela será substituída por outra atriz.

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