Whiskey Festival/ Divulgacao
Whiskey Festival/ Divulgacao

Adolescentes e quase famosos

Mesmo com fãs ilustres, Teenage Fanclub mantém a aura de ser uma banda fora do mainstream

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2011 | 00h00

"Your Love Is The Place Where I Come From, uma das mais adoráveis canções de um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos, Songs from Northern Britain", escreveu o hábil escritor pop Nick Hornby no livro 31 Canções, de 2003. Ain"t That Enough, novamente do Teenage Fanclub, retirada do mesmo álbum, de 1997, também ganhou um capítulo na lista do autor dos celebrados Alta Fidelidade e Um Grande Garoto. Kurt Cobain, ex-vocalista do Nirvana, costumava usar camisetas do grupo e dizer, para quem quisesse ouvir, que os escoceses formavam a melhor banda do mundo. Em 22 anos de estrada, eles sempre estiveram a um passo de se tonarem pop. Nunca o fizeram.

Se alguém fica em dúvida da força que o grupo de power pop criado em Glasgow ainda exerce nos seus fãs, basta saber que os mil ingressos que foram colocados à venda para a apresentação na The Week, hoje, às 22 h, como parte do Whiskey Festival, acabaram em questão de horas. Amanhã o show é no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Muito dessa adoração indie se deve aos três vibrantes shows que o grupo fez no Sesc Pompeia, em São Paulo, em 2004. "Aquilo nos deixou uma impressão muito positiva. Foram três noites seguidas, de casa cheia", diz o guitarrista e um dos vocalistas Norman Blake que, de teenage, não tem mais nada, aos 45 anos. "E os ingressos já acabaram. É demais."

Nos anos 90, a gravadora do Teenage Fanclub, Creation Records, tentou emplacar a banda nos Estados Unidos como o Nirvana da Escócia. Mas nunca deu certo. A revista de rock americana Spin, no entanto, elegeu o disco Bandwagonesque como o melhor lançamento de 1991 - um detalhe: eles disputaram com Nevermind, obra-prima de Cobain.

Mesmo assim, a banda continuou com a aura de alternativa e fora do mainstream, algo essencial para nove a cada dez fãs indies. Em outubro do ano passado, o Teenage Fanclub lançou seu nono disco, Shadows, sem grande alarde. O álbum quebrou um hiato de cinco anos sem material inédito e foi o segundo trabalho lançado pelo selo da própria banda, o PeMa Records. As guitarras distorcidas foram deixadas de lado. As melodias, coloridas e fofas, ganharam mais destaque. É também um disco que mostra a maturidade da banda, todos quarentões. Uma forma musical de encarar a idade, sem perder a inocência pueril que os fizeram famosos. Ou quase.

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