Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Admirável ferro velho

Projeto resgata espírito do Arte/Cidade ao promover intervenção com trens da antiga Estação da Mooca

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

De um muro no Viaduto São Carlos, no bairro da Mooca, vê-se uma extensão de vagões abandonados, enferrujados. Não se sabe há quanto tempo aquela "sucata" ferroviária está ali, mas, como contam o escultor José Resende e o filósofo Nelson Brissac Peixoto, há dez anos, pelo menos, aqueles trens estão lá, da mesma maneira que hoje. "A arte não é solução", diz o artista, mas é ela que vai chegar àquela paisagem urbana - e levantar os problemas da região ao mudar a maneira de se ver o local.

Afinal, o que fazer com aquela sucata da cidade? Em 2002, Brissac, criador do projeto Arte/Cidade, realizou a quarta edição do evento com intervenções artísticas em diversas localidades da zona leste de São Paulo. Na ocasião, José Resende foi um dos participantes e criou uma das obras mais emblemáticas do evento ao inclinar vagões nos trilhos ao lado da movimentada Avenida Radial Leste. Agora, tanto o artista quanto Brissac e uma nova parceira, a engenheira Heloisa Maringoni, voltam à problemática região da cidade para concretizar mais uma intervenção de peso: entre 15 de agosto e 15 de setembro, eles realizam o projeto Um Canteiro, ação escultórica e experimental utilizando cerca de 30 vagões da antiga Estação da Mooca.

Vai ser uma operação complexa, já que ocorrerá em uma área em que convivem ao mesmo tempo os vagões abandonados e por onde passam trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), com passageiros, e ainda outros de carga. Trabalhar a "parte amortecida" com a "parte viva da cidade", como diz Heloisa, vai ser um desafio.

"Agora, ao contrário dos Arte/Cidades, é uma radicalização do processo experimental. Esse projeto não implica uma obra final", afirma o curador Nelson Brissac, que fez a primeira edição do projeto em 1994, no antigo Matadouro de São Paulo. Um Canteiro, assim, vai ser um experimento, "laboratório urbano" a céu aberto, e que poderá ser acompanhado pelo público a partir de um dos galpões do complexo que se estende na antiga Estação da Mooca.

Além da ação monumental de Resende, Heloisa e de Brissac com os vagões sucatas, ocorrerão no local workshops para visitantes e alunos de arquitetura e engenharia. Basicamente, é um projeto criado para se pensar um problema da metrópole por intermédio da arte.

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