Adivinhe quem vem para comer, rezar e amar

Julia Roberts fala ao Estado sobre seu novo filme, que estreia no Brasil em 1.º de outubro, baseado no best seller do momento

Luiz Carlos Merten / CANCÚN, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

Mensagem. "O cinema já me deu muito, agora quero retribuir e não pensar só na minha conta bancária"        

 

 

 

 

 

Julia Roberts possui um critério muito particular de avaliação dos filmes de que participa. O fato de haver recebido o Oscar por Erin Brockovich não torna o filme de Steven Soderbergh melhor do que O Sorriso de Mona Lisa, de Mike Newell, pelo qual o repórter do Estado admite ter um carinho especial. "É gentil da sua parte. Também gosto bastante do filme. É delicado e a abordagem do universo feminino é bem interessante."

A entrevista realiza-se em Cancún, no México, onde a Sony exibiu para jornalistas de todo o mundo um fatia significativa de sua produção para 2010 e 11. O filme de Julia é Comer, Rezar, Amar, baseado no best seller de Liz Gilbert, que estreia em outubro no Brasil. Ela diz que prêmios e até estouros de bilheteria não mudam sua avaliação de um filme. O que lhe interessa é o processo. A filmagem foi enriquecedora para ela? As pessoas que conheceu, os lugares, a personagem? "Isso é que conta", ela explica. "O cinema me deu muita coisa. Acho que é tempo de retribuir pensando em enriquecer as pessoas, não aumentar minha conta bancária."

 

Como conheceu o livro de Liz Gilbert?

Foi antes que ele virasse um êxito editorial e todo mundo começasse a falar em Comer, Rezar, Amar. Li as primeiras 30 páginas e fiquei tão impressionada que entrei na Amazon.com e comprei um exemplar para um amigo com quem gosto de trocar ideias.

 

E o que a atraiu tanto?

Liz expõe com toda honestidade a crise de uma mulher que, de repente, começa a se questionar sobre o significado da vida. Acho muito bonita a cena em que minha personagem interroga a mãe, querendo saber quando, ou se, ela deixou de ser ela mesma por causa dos compromissos com família, trabalho. É uma coisa na qual acredito. Se você quer discutir seriamente sua vida, fale com sua mãe. Ela, em geral, é confiável. Já passei pelo turbilhão que a personagem experimenta. Creio, sinceramente, que não é bom discutir a vida com atores. Não somos bons para isso. A maioria necessita de um texto para recitar.

 

Por falar em mãe, que tipo de mãe é você?

Não a permissiva, com certeza. Acredito que as crianças precisam de orientação e é o que tento fazer com meus filhos. Não sei se sou a melhor mãe do mundo, mas tento. E espero que eles confiem em mim, como confiei na minha mãe.

 

A filmagem de Comer, Rezar, Amar foi feita na Itália, Índia e Indonésia. Não foi complicado?

A produção foi planejada justamente prevendo que a filmagem em diferentes países poderia ser complicada e era preciso evitar isso. Queríamos filmar na ordem cronológica e conseguimos, exceto nos momentos em que as monções alteraram nossos planos. Nunca havia feito filme nessas condições. Fica mais fácil sentir a evolução da personagem.

 

No terceiro segmento, Amar, você encontra seu namorado brasileiro. Como foi filmar com Javier Bardem?

Liz realmente namorou e ainda vive com este brasileiro. Formam um casal muito maduro. Eu a conheci durante a filmagem em Roma. Não quis encontrá-la antes porque estava mais interessada em me guiar pelo livro e pelo roteiro preparado por Ryan Murphy (o diretor). Ele, sim, esteve em contato o tempo todo com Liz e fez um trabalho incrível. Javier é espetacular. Possui uma força, uma energia. E é um homem sedutor para a maioria das mulheres, além de ser confiável para os homens.

 

Tudo isso é verdade, mas ele não fala bem português.

Jura? Houve toda uma preocupação da produção e o próprio Javier viveu um tempo no Brasil, tem amigos brasileiros. Espero que não seja nada embaraçoso para ele.

 

Numa cena, só os brasileiros na plateia em Cancún riram. Ele define sua personagem como uma mulher "falsa magra".

Ah, sim. Creio que é verdade. Consigo manter meu peso sem sofrer demais, mas acho que um pouco de quadris e de busto valorizam qualquer mulher. Não gostaria de ser magra como uma top.

 

Você está muito bonita. O que está usando?

A blusa é Balenciaga, digamos que ajuda a compor meu visual.

 

Para o meu gosto pessoal, a melhor parte do filme é a inicial, em Roma, mas do ponto de vista da interpretação seus momentos com Richard Jenkins são os mais marcantes.

Ele é um ator extraordinário. Diz seu texto com uma segurança que, de repente, é como se você não estivesse interpretando. O personagem torna-se estranhamente real, este homem atingido pela morte do filho. O mais impressionante é que, naquele dia, eu estava com febre. Por pouco não tivemos de alterar o plano de filmagem. Quer dizer, a produção queria. Eu achei que seria melhor seguir em frente e não me arrependo. Considerando-se a progressão dramática e a filmagem cronológica, era naquele momento ou nunca.

 

Como foi sua relação com o diretor?

Ryan (Murphy) criou a série Glee, que faz o maior sucesso. É muito musical, muito bom com atores. Até por sua reduzida experiência no cinema, ele se preparou muito, e bem. Chegou cheio de ideias, entusiasmado. Isso é bom. Renova a gente. Do meu ponto de vista, a filmagem de Comer, Rezar, Amar correspondeu à expectativa que o livro me criara. É uma história, mas é principalmente uma experiência humana. Gostaria que mais pessoas a compartilhassem conosco.

 

Brad Pitt é um dos produtores, por meio da empresa dele, a Plano B. Qual a sua contribuição?

Brad é um amigo. Sua interferência, quando ocorre, é sempre no sentido de somar.

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