Adeus, computador Kinect, IPAD e o celular em 2011

Impressão Digital

Alexandre Matias, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

Um recorde foi batido duas vezes durante 2010: o de aparelho eletrônico que vendeu mais rápido na história. O detentor da marca anteriormente era o aparelho de DVD, lançado no final dos anos 90, mas na metade de 2010, o iPad da Apple, que só no primeiro dia nas lojas já havia alcançado a incrível marca de 300 mil unidades vendidas, garantiu o título. Em dois meses após seu lançamento, já havia mais de dois milhões de tablets passando de mãos em mãos pelo planeta.

Quase no fim do ano, o Kinect, acessório para os games da Microsoft, bateu o mesmo recorde, vendendo quase o dobro que o iPad no mesmo curto período de tempo.

Os dois aparelhos têm diferentes propósitos, mas são bem mais parecidos do que dá para supor. iPad e Kinect foram lançados visando ao entretenimento do consumidor final - o primeiro é um dispositivo portátil de conexão à internet, o segundo um acessório para o console de videogame Xbox 360. Também são os filhotes mais queridos de duas velhas rivais, a Apple e a Microsoft. E é aí que outras coincidências começam a ganhar até um ar de ironia.

Principalmente pelo caso de, graças à Apple e Microsoft, estarmos acostumados ao formato monitor, teclado, gabinete e mouse, para trabalhar, nos comunicar e nos entreter. Eis a ironia: as duas empresas estão apostando suas fichas em algo que não tem nada a ver com o formato digital que estabeleceram no final dos anos 70 e é central no dia a dia da maioria das pessoas do mundo: o computador pessoal.

Isso não quer dizer, no entanto, que já é hora de aposentar o velho desktop - mas já dá para dizer, sem exagero, que o computador já não é a central do mundo digital como foi há até poucos anos. Este lugar está passando para o celular, à medida que o telefone móvel ganha novos recursos e, claro, acessa a internet. Pode reparar - se ainda não aconteceu com você, é bem provável que ao seu redor muita gente já use o celular para traçar rotas em mapas online, para descobrir o telefone ou o endereço daquele restaurante ou em que cinema está passando aquele filme num determinado horário.

iPad e Kinect, portanto, só vêm acelerar o processo de distanciamento do computador. Com o primeiro, ler um blog ou assistir a um filme comprado online tornou-se uma atividade tão trivial e corriqueira quanto ler um livro de papel. Com o segundo, controlar a ação de um videogame - e, consequentemente, daquilo que acontece na tela - não mais pressupõe ter um controle na mão, afinal você mexe no que está vendo apenas com o movimento do corpo, detectado pelo acessório.

Mais do que isso: ambos abolem por completo mouse e teclado, dando aos movimentos das mãos e do corpo liberdade para interagir com a tela. Isso é só o começo. Não vai demorar para que esse tipo de interação migre para a televisão, para o carro e para outros aparelhos com que temos de lidar diariamente.

Mas iPad e Kinect apenas aceleram um processo que, como já disse, é encabeçado pelo celular. E se você acha que nunca vai precisar do telefone móvel para acessar a internet, melhor pensar duas vezes. Se não dá para cravar que 2011 será o último ano do computador pessoal, já posso afirmar, sem dúvida, que você usará seu celular para acessar a internet em menos de um ano. Se já não estiver fazendo isso.

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