Adam Sandler é o astro de 'Zohan - O Agente Bom de Corte'

Filme, que faturou US$ 100 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, estréia nesta sexta-feira no Brasil

Franthiesco Ballerini, especial para o Estado,

13 de agosto de 2008 | 16h13

Yitzhak Rabin, ex-primeiro-ministro israelense, disse certa vez: "Chega de sangue e lágrimas." No ano em que Israel completa seis décadas de existência, um grupo de humoristas de Hollywood resolveu promover a paz entre palestinos e israelenses. Como? Com uma dose de piadas escatológicas e sexuais e a presença de Mariah Carrey como a musa idolatrada pelos dois lados do conflito. Veja também:Trailer de 'Zohan - O Agente Bom de Corte'   Zohan - O Agente Bom de Corte estréia na sexta-feira, 15, no Brasil após um desempenho satisfatório nas bilheterias dos Estados Unidos - faturou US$ 100 milhões - em parte graças a uma dose de polêmica em torno do tom das piadas. Escrito por Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos), Robert Smigel e Adam Sandler, também protagonista, o filme causou um certo desconforto no lançamento à imprensa internacional, em Los Angeles, que questionava Sandler sobre os riscos de suas piadas - tão populares nos Estados Unidos - não serem tão bem-aceitas no Oriente Médio. "Não tiramos nenhuma piada, mas a construção do roteiro foi um processo delicado. Tivemos árabes-americanos e judeus-americanos como consultores. Eles até sugeriam algumas piadas. Mas confesso que alguns árabes e israelenses se recusaram a ler o roteiro, pois não se sentiram confortáveis com esse tipo de humor", disse ao Estado Adam Sandler. "Mas que fique bem claro que eu não quis representar todos os israelenses. É como se achassem que James Bond representa todos os britânicos." Não há razões para tanto alarde. As piadas do filme são tão bobas que não justificam o motim de nenhum dos lados. Sandler vive o Zohan Dvir, militar israelense especializado em contraterrorismo, aparentemente indestrutível. Seu único inimigo é Phantom (John Turturro), um terrorista palestino. Embora ame Israel, Zohan abandona o exército para virar cabeleireiro no subúrbio de Nova York, no salão da árabe Dália (Emmanuelle Chriqui). Além de estereotipar hábitos de ambos os lados e reforçar os sotaques dos personagens, Zohan retoma o que Will Ferrell, Steve Martin e Jerry Lewis tanto fizeram nos cinemas, o de transformar o protagonista num galanteador que acredita tanto ser garanhão que no final acaba sendo. Zohan é um hedonista sexual, não tem inibições de satisfazer todas as suas clientes de idade avançada. "Fiquei surpreso que o Adam tenha topado fazer tantas cenas constrangedoras. No início, ele nada como um golfinho, depois aparece depilado. E em Nova York, as velhinhas adoram lamber seus mamilos", brinca o diretor Dennis Dugan (O Paizão). Uma jornalista britânica pergunta a Sandler se não acha as piadas ofensivas a velhinhas, que parecem "necessitadas" de sexo. "Ofensivo? Achei o oposto. O cara celebra todas as mulheres, não importa raça, idade nem classe social", disse o ator. E Mariah Carey, o que tem a ver com tudo isso? "Achávamos que ela era a artista que conseguia juntar, num mesmo lugar, até israelenses e palestinos", afirmou Sandler. "Estive em Israel nos anos 90 e me lembro dos taxistas me perguntando como estava a Mariah. Ela é um fenômeno no Oriente Médio", garantiu o diretor, que a pôs vivendo ela mesma na trama. Repleto de músicas dos anos 80 - época em que Sandler tinha uma banda no colegial e queria ser Sting - Zohan repete a parceria do ator com Rob Schneider, irreconhecível como um taxista palestino. Ao final do bate-papo com a imprensa, Sandler deixa claro sobre o que pensa de fazer piadas sobre palestinos e israelenses. "Eu só quis fazer rir. Corta o meu coração só de pensar em ter magoado alguém. Espero que isso não aconteça." É o que veremos amanhã.   Zohan - Agente Bom de Corte (You Don’t Mess With the Zohan, EUA/2008, 113 min.) - Comédia. Direção Dennis Dugan. 12 anos. Estréia na sexta-feira, 15. O repórter viajou a convite da distribuidora

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