Acordo editorial aproxima Brasil e Uruguai

MARIA FERNANDA RODRIGUES

MARIAF.RODRIGUES@GRUPOESTADO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2012 | 03h09

O mercado editorial uruguaio não tem números que chamem a atenção - e o contrário seria improvável, já que a população do país não chega a 3,5 milhões de habitantes. Mas isso não importou à brasileira Grua Livros, também de números modestos - em 4 anos de vida, publicou 21 títulos. Ela acaba de assinar parceria com a Yaugurú, que tem sede em Montevidéu, para facilitar o intercâmbio entre as obras produzidas aqui e lá. O projeto se chama Boca a Boca e prevê, a partir de junho, a publicação de livros nos dois países com o selo das duas casas editorias. Sairão no Uruguai e serão vendidos em algumas livrarias da Argentina e do Chile com tiragem de mil exemplares: Minha Alma É Irmã de Deus, de Raimundo Carrero; As Coisas, de Arnaldo Antunes; Outra Vida, de Rodrigo Lacerda; Antonio, de Beatriz Bracher; Espinhos e Alfinetes, de João Anzanello Carrascoza, e Pitanga, de Carlos Eduardo de Magalhães, proprietário da Grua, que teve livros seus publicados antes pela Cosac Naify, 34 e Rocco, entre outras editoras. Algumas traduções ganharam apoio do programa da Fundação Biblioteca Nacional. A Biblioteca Nacional de lá, por sua vez, garantiu a compra de 300 exemplares de cada título, suficiente para distribuir para todas as salas de leituras. As obras uruguaias terão edições bilíngues aqui e sairão em tiragens de 1.500 exemplares. São elas: Las Hortensias, de Felisberto Hernández; Misales, de Marosa Di Giorgio; Torquator, de Henry Trujillo; El Alma del Mondo, de Felipe Polleri, e Detrás del Rojo, de Sylvia Lago. A ideia é que os autores viagem para promover as obras.

EDITORA

Os próximos anos

Projeto de livro é o que não falta na mesa de Alberto Martins, há 12 anos na 34, editora que festejou 20 anos esta semana. Mas um dos que trata com mais carinho foi uma dica de Boris Schnaiderman. Contos de Kolymá, de Varlam Chalámov, terá seis volumes e o trabalho de edição pode chegar a quatro anos - os primeiros saem em dezembro ou início de 2013. "Seu estilo tem aquela coisa do Graciliano Ramos, concreta, direta e ao mesmo tempo com uma carga humanitária muito forte", conta o editor. "É a luta entre estar desesperado vivendo na pior e ao mesmo tempo querer viver." Chalámov sobreviveu à prisão de mais de uma década em campo de concentração da Sibéria. Nivaldo dos Santos e Denise Sales serão os tradutores.

LEITURA

Feira itinerante

Caminhos da Leitura é um projeto da Associação Brasileira de Difusão do Livro que quer levar títulos baratos e escritores a 30 cidades carentes de programação literária. A primeira parada foi Monte Alto, município paulista de 48 mil habitantes, entre quinta-feira e domingo da semana passada. A organização estima que 2.500 pessoas tenham passado por dia pelo espaço. No total, participaram mais de 4.500 estudantes e 300 professores. Entre os convidados estavam Marcelo Mirisola, Menalton Braff e Henrique Rodrigues. Teve show do Teatro Mágico também.

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A iniciativa integra o Circuito Nacional de Feiras de Livro e a realização é da Infinito Cultural, que teve a autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 8 milhões. Estandes são vendidos a editoras e distribuidoras por R$ 2 mil e R$ 3 mil.

EDUCAÇÃO

Sem preconceito

Em 2010, o Conselho Nacional de Educação quis proibir a adoção de livros de Monteiro Lobato alegando racismo. Ilan Brenman, que já acompanhava a questão - ele defendeu, em 2008, na USP, a tese A Condenação de Emília: O Politicamente Correto na Literatura Infantil, resolveu perguntar às crianças o que vinha à cabeça quando ouviam o nome de Tia Anastácia. "Elas disseram: alegria, comida, mãe da Emília. Ninguém falou da cor dela. Estamos levando o olhar da criança para algo que não tem importância para ela." A tese vira livro em julho pela Aletria.

ENSAIO

Sonhos apocalípticos

Dois livros de Slavoj Žižek estão no prelo da Boitempo. O Ano Em Que Sonhamos Perigosamente, cujos direitos foram doados pelo esloveno à editora, será lançado no segundo semestre. A obra recupera os principais eventos de 2011 e analisa tanto os movimentos emancipatórios (Primavera Árabe, Occupy Wall Street) quanto os destrutivos, que motivaram a chacina na Noruega e outros episódios racistas que eclodiram na Europa.

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Em junho sai Vivendo No Fim dos Tempos. Nele, Žižek identifica os quatro cavaleiros do apocalipse com a crise mundial ecológica, os desequilíbrios dentro do sistema econômico, a revolução biogenética e as divisões sociais e rupturas explosivas.

HISTÓRIA

A guerra no pós-guerra

O inglês Keith Lowe sustenta em Savage Continent: Europe In The Aftermath of World War II que a 2.ª Guerra Mundial não acabou em 1945. Na obra, que a Zahar publica em 2013, ele traça o panorama do caos que ocorreu nos 10 anos seguintes ao conflito, relatando abusos dos soldados aliados diante dos já derrotados alemães e ondas de violência em todo o continente europeu.

MARKETING

De cabo a rabo

Na quinta-feira, a Planeta vai reunir 10 fãs de Augusto Cury em São Paulo para a leitura em primeira mão de O Colecionador de Lágrimas - Holocausto Nunca Mais, que chega às livrarias dia 5/6. A maratona vai durar oito horas e foi inspirada em evento feito por ela na Espanha com outro autor. Cury aparece lá no final.

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