Acompanhe a virada hora a hora

Gráfico interativo mostra aonde ir no horário que você acessar; movimente a barra lateral para a esquerda e direita

16 Abril 2011 | 16h39

 

 

 

O show de Leandro Lehart, com a participação da Maior Bateria do Mundo, previsto para começar às 14 no Palco República, sofreu um pequeno atraso de cerca de 30 minutos. Imprevisto compreensível, dado o tamanho do empreendimento. Na apresentação tocaram ritmistas de todas as escolas do grupo especial e seus mestres de bateria. Esta grandiosa reunião de músicos deverá entrar para o Guiness Book, o livro dos recordes.

 

Juntos, os bateristas tocaram 40 minutos. Lá de cima, do palco, Leandro Lehart e as cordas - cavaquinho bandolim e violão - puxavam o samba. Houve uma pequena falta de sincronia, facilmente explicada pelo delay entre os ritmistas, que estavam em uma passarela no meio do público, e o palco. Mas para o público isso não foi importante. A empolgação foi geral. O Palco República vibrou mais e se mostrou mais representativo do que em qualquer outro show lá apresentado nesta edição da Virada Cultural.  

 

Com 10 minutos de atraso, herdando um grande público estava presente no Palco da República anteriormente para acompanhar a Maior Bateria do mundo, comandada por Leandro Lehart, a cantora Mart'nália fez uma apresentação que durou cerca de uma hora. A filha de Martinho empolgou o público com composições próprias e algumas escritas por seu pai como Ex-Amor, Mulheres e Disritmia.

Às 18h, encerrando as atividades na Praça da República, sobe ao palco o vascaíno e portelense Paulinho da Viola acompanhado da Orquestra de Cordas de Curitiba.

 

 

 Veja também:

especialESPECIAL: O mapa da Virada Cultural

linkAcompanhe a cobertura pelo Jornal da Tarde

blog EDMUNDO LEITE: O destino das latinhas da Virada Cultural

som ESTADÃO ESPN: Ópera ao ar livre é um dos destaques

 

 

Já no início da madrugada deste domingo, durante sua apresentação impecável ao lado de Dom Salvador e o grupo Abolição, o longevo crooner Tony Tornado - que completa 81 anos em maio - disse que "quando duas mãos se juntam, a cor que reflete no chão é a mesma." Depois do palco da República ter sido dominado no sábado principalmente pelo rap e pela soul music, com shows do projeto Festa 011 (KL Jay, Edi Rock, ambos dos Racionais MCs, e Don Pixote), BNegão e Taylor McFerrin, Fred Wesley e the New JB's, Tornado, Salvador e Abolição, Di Melo e Dumpstaphunk - que teve o show interrompido por alguns minutos por causa de um tumulto criado em decorrência de uma tentativa de roubo de boné -, a mesma praça tem as maravilhas da negritude novamente exaltadas na manhã deste domingo, só que agora com o samba.

 

Substituindo Nelson Triunfo, que ontem foi o encarregado das cerimônias de apresentação na República, hoje quem recepciona os artistas no palco é o rapper Rappin Hood. Logo às 8 horas, em ponto, ele convocou o mestre portelense Monarco, que desfilou seus temas antológicos, como Coração em Desalinho e Vai Vadiar.

 

Às 10 horas, o compositor dos lados de Oswaldo Cruz e Madureira cedeu lugar à outra lenda viva do samba, o baiano Riachão. Parecendo um moleque no palco, com seu estilo inconfundível de sambar saltitando e sacolejando, ele também animou uma plateia ainda pequena, formada em grande parte por famílias e crianças. Em 50 minutos de apresentação, Riachão tocou onze composições suas, entre elas, as clássicas Cada Macaco no Seu Galho e Vá Morar com o Diabo. A jovialidade do sambista, que completa 90 anos em novembro, cativou diversas pessoas da plateia, entre elas, um senhor completamente embriagado, que, com seu chocalho, atravessava o samba e arrancava risos dos presentes.

 

Nos entornos da praça, levando-se em conta a quantidade de pessoas na região ontem, hoje de manhã a limpeza era consideravelmente melhor em relação à feita no ano passado.

 

Às 12h05 teve início no palco da república o show de Paulo Miklos com o quinteto Em Branco e Preto. Em 1h05 de apresentação, eles interpretaram grandes clássicos do sambista centenário Noel Rosa. No repertório, temas como Filosofia, Fita Amarela, Com Que Roupa?, Último Desejo, Pastorinhas, Conversa de Botequim, Tipo Zero, Feitio de Oração, Tarzan, Filho do Alfaiate, Positivismo, Palpite Infeliz e Onde Está a Honestidade.

 

O público, que foi bem maior em relação ao show anterior, do sambista Riachão, sofre com o forte calor, algumas pessoas chegam a cobrir a cabeça com o mapa que indica a programação da Virada Cultural, mas mesmo assim a plateia respondeu ao show com muita empolgação.

 

 

Sábado

Rita Lee deu o pontapé inicial da Virada Cultural Paulistana de 2011 com um show eletrizante, marcado por declarações políticas, que trouxe por volta de 20 mil pessoas à Praça Julio Prestes, em frente à Sala São Paulo. Não demorou para que Rita apimentasse o seu discurso. Auxiliada por sua banda família, com filho e marido nas guitarras, abriu com Agora só falta você, e logo disse: "Perto da Virada Cultural Paulista, o Rock in Rio é um cemitério musical". A galera aplaudiu, mas era só o início. Na metade de Ovelha Negra, destilou o veneno: "Entra governador, sai governador e São Paulo continua igual. Porque eles não tiram a bunda da cadeira e vão trabalhar?" O público ia ao delírio.

 

Rita deu então sequência ao que foi um dos melhores shows do ano até agora. Energética, dançando leve sobre o palco, disse que era a irmã gêmea de Ozzy Osbourne. Sua banda-família, com o filho Beto Lee e o namorado Roberto Carvalho nas guitarras, fazia rock and roll eficaz e dançante ao entardecer. Rita cantou Doce Vampiro, Lança Perfume e outros clássicos. Deu espaço para um sósia do Michale Jackson, que incendiou a praça com uma versão de Bad.

 

Sobre a plateia, quatro mulheres de vestidos coloridos faziam acrobacias penduradas de um trapézio coletivo, uma Polaroid exata da miscelânea de povos e estilos que dá vida à Virada. Até as 17h30, o trânsito era tranquilo nos arredores da Sala São Paulo. Casais como Alexandre Moisés e Mara Frateso show de chi, de Ribeirão Preto, e grupos de fãs se juntavam para o show de abertura. "Amanhã (domingo) vai ser melhor", contou Alexandre, que viera à capital por causa da programação brasileira. "Paulinho da Viola, Almir Sater, Renato Teixeira", Vamos escutar samba e sertanejo bom, embora sejamos de Ribeirão e lá isto não faz falta." completou.

 

O Fã João Cândido previu as alfinetadas de Rita, especulou "Ela não participou das últimas viradas por motivos políticos. Ela sempre fala um monte e por isso foi tesourada pelo Serra e pelo Kassab esses anos", completou. Às 20h Edgar Winter subiu ao palco da praça para tocar seu rock clássico, que era ouvido em alto e bom som nos arredores.

Frequentemente subjugado de maneira leviana, o rap nacional novamente deu a volta por cima. Desde a briga generalizada na edição de 2007 da Virada Cultural, o gênero foi associado à violência pelo fato de a confusão ter ocorrido durante o show dos Racionais MCs. Quatro anos depois, o rap voltou ao evento, sem brigas, com a presença de um público diversificado, incluindo famílias e crianças. "O rap tem que ser respeitado como qualquer música. É um estilo muito forte e presente no cotidiano das pessoas, é a trilha sonora da metrópole São Paulo. A prefeitura e a secretaria devem estar se sentindo culpadas por terem deixado todo esse tempo de fora. A gente abriu a Virada deste ano sem nenhuma treta e pra esse monte de gente. Aquilo já era, é virar a página e seguir em frente", disse o DJ KL Jay após o show, referindo-se à volta do rap.

Com o projeto Festa 011, formado por KL Jay e o MC Edi Rock, ambos dos Racionais, acompanhados de Don Pixote, os rappers subiram ao Palco República após anúncio do apresentador Nelson Triunfo, no horário previsto, às 18 h.

Depois de abrir a apresentação com Jorge da Capadócia, de Jorge Ben, o grupo - que contou com as participações de nomes como Dexter e Nathy MC - levantou a plateia com diversas pedradas sonoras, incluindo temas dos Racionais, como Nego Drama.

Com equalização bem cuidada e o volume do som chegando a todos os pontos da Praça da República com nitidez, o grupo deixou o palco às 19h15, com mais um clássico dos Racionais, Mágico de Oz, dedicado por Edi Rock "a todas as criancinhas do Brasil, lembrando a covardia de Realengo."

Às 20 h, no horário previsto, teve início o show do norte-americano Taylor McFerry com o brasileiro BNegão. Em 1h10 de apresentação, a dupla que havia tocado junta apenas uma vez, no ano passado, conseguiu levantar a plateia, bem mais numerosa em comparação com o show anterior.

Na base do improviso, com sintetizadores e um beat box pra frente, McFerrry fez a cama para BNegão levantar o público com suas rimas pesadas, incluindo temas antológicos de sua ex-banda, o Planet Hemp, como Legalize Já, Dig Dig Dig (Hempa) e Contexto, citando um dos fundadores do grupo, o já falecido Luís António Skank. Além disso, o rapper cantou composições suas, como Enxugando o Gelo, e de outros nomes importantes da música brasileira, como a sambista Jovelina Pérola Negra (Sorriso Aberto) e Chico Science e Nação Zumbi (A Praieira). Ao fim da apresentação, McFerry disse ao Estado "ter sido incrível tocar para tanta gente" e BNegão comentou sobre a volta do hip hop à Virada. "Aquilo que aconteceu com os Racionais criou uma nuvem, uma energia carregada contra o rap e muitas pessoas fizeram um julgamento precipitado. Tem que ser respeitado o gênero. É uma música que nasceu na rua, feita pra rua e não pode ficar fora da rua", disse o cantor.

Às 22 h, o show do trombonista Fred Wesley - chamado por BNegão de "maestro do maestro" pelo fato de ele ter acompanhado James Brown - e the New JB's (EUA) também começou no horário, mostrando a boa organização do Palco da República em relação ao cronograma prometido. O trombonista subiu ao palco acompanhado de mais seis músicos e tocou temas antológicos, como No One. Na apresentação da legítima soul music americana, o naipe de metais com trombone, trompete e saxofone - acompanhado de guitarras, baixo, bateria e teclado - animou a plateia com improvisos, ataques e convenções quentíssimos. Na área destinada a imprensa e artistas, na boca do palco, Nelson Triunfo comandou passos de dança e, mais ao lado, BNegão e Taylor McFerry, que haviam acabado de se apresentar, acompanhavam o show empolgados.

Segundo a Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana e o Corpo de Bombeiros, não houve nenhuma ocorrência até o horário. Apenas um homem completamente embriagado invadiu o fosso da imprensa, foi retirado pelos seguranças do evento e devolvido à pista. Até as 22 horas, ambulantes vendiam garrafas de vinho a R$ 7 e, na bandeja, uísque com energético, por R$ 10, a dose. Até o horário, o atendimento no ambulatório do palco era tranquilo, com um caso de queda de pressão de uma garota e outro de um homem embriagado. Logo em seguida, porém, uma mulher alcoolizada desmaiou e foi atendida pelos próprios amigos até uma ambulância chegar, poucos minutos depois. No mesmo local, um rapaz embriagado e com ferimentos - sua camisa estava ensanguentada - pediu ajuda a um grupo de policiais após se envolver em uma briga na Praça da República. Os PMs não localizaram os agressores até o momento.

Na lateral do palco, a saída da estação República estava com movimento intenso e com revista policial bem organizada.

(Com flashes de Lucas Nobile, de O Estado de S. Paulo. Colaborou Roberto Nascimento)

*Atualizado às 17h26 para acréscimo de informações

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.