Acima com o Down

Supergrupo de Phil Anselmo, ex-Pantera, toca no SWU e ele fala sobre blues, Black Sabbath e raiva

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

Entrevista

Phil Anselmo

CANTOR E GUITARRISTA

A banda que colocou o nome de Phil Anselmo no Olimpo do heavy metal foi o Pantera, mas desde 1992 ele anda por aí a bordo do supergrupo Down. O Down faz parte do cast do SWU Festival 2011, e toca no dia 14 de novembro em Paulínia, ao lado de nomes como Megadeth, Primus e Faith No More.

Philip Hansen "Phil" Anselmo, de 43 anos (que já tinha militado no Razor White e Superjoint Ritual), reuniu o Down de novo em 2006 - seus colegas são Pepper Keenan (guitarrista e vocalista de Corrosion of Conformity), Kirk Windstein (guitarrista e vocalista do Crowbar), Rex Brown (ex-baixista do Pantera) e Jimmy Bower (baterista do Crowbar e guitarrista de Superjoint Ritual e Eyehategod) e Todd Strange (Crowbar). O som que fazem é definido de diferentes maneiras: heavy metal, sludge metal, southern metal, stoner metal.

Supergrupos são parte do cenário do rock desde sempre. Desde o Cream (Eric Clapton e Ginger Baker) e os Travelling Wilburys de Bob Dylan e George Harrison até o Them Crooked Vultures de Dave Grohl (Nirvana) e John Paul Jones (Led Zeppelin), os supergrupos sempre fizeram sua lenda.

Em 1974, a revista Time definiu os supergrupos como um "amálgama de talentos mal acomodado em outras bandas", fazendo shows movidos pelo combustível de egos em duelo. "Não gosto desse título, supergrupo. Todo mundo aqui ensaia no mesmo lugar, não tem estrelismo. É natural, honesto", diz Phil Anselmo.

A última vez que você esteve no Brasil foi em 1998, com o Pantera...

Uau, faz muito tempo, não? Eu me lembro que foi louco, fantástico, insano. Mas eu não me sinto, honestamente, em condições de dizer como foi o show de 13 anos atrás. Sei que o resto dos caras na banda, muitos deles, já estiveram aí. E viviam me perguntado: "Quando iremos à América do Sul?". Todo mundo fissurado. Acho que vamos fazer aí um show de grande energia, misturando as influências de New Orleans com o peso do Black Sabbath. É o que fazemos melhor, não temos truques, nem fogos, nem computadores, nem fumaça. Ok, talvez façamos uma fumacinha... (risos)

Ouvindo o som que você fazia com o Pantera, é meio estranho pensar que você cita a música de New Orleans como influência. É que a música lá é principalmente jazz, bluegrass, blues, coisas ligadas às raízes...

Quando montamos a banda, fizemos questão que fosse um som ligado às raízes. Eu vivo aqui no Sul dos Estados Unidos, eu cresci num subúrbio daqui, estudei em New Orleans. Aqui é assim: pegue o que quiser, tudo está aí, disponível. Há influência do blues e do jazz. Mas nós não queríamos que fosse uma fórmula. Veja os caras da banda. Jimmy é um guitarrista extraordinário, e tocou em diversas bandas de música mais lenta. Pepper tocou em outra espetacular banda lenta. Embora, musicalmente, tenhamos diferentes visões, há um acento mais bluesy em toda a moçada.

A proposta inicial seria algo parecido com o que o ZZ Top, que também é sulista, faz?

ZZ Top é uma grande banda, mas não queremos ser associados a eles. Eu preferia que você dissesse que somos mais próximos do Lynard Skynard, aquele tipo de southern rock, com poesia típica do southern rock, e atitude também típica do southern rock. Crescendo aqui entre New Orleans e o Texas, eu me acostumei a ouvir grandes bandas. Mas é óbvio que há outras influências na nossa música, especialmente do Black Sabbath. No cenário do heavy metal, o Sabbath é o que mais se aproxima do que fazemos. Outra grande banda que a gente gosta é o Trouble.

Vocês são um dos supergrupos do rock. Há quem diga que supergrupos são o lugar onde os músicos se escondem dos problemas das bandas regulares...

Eu não gosto desse título, supergrupo. Somos o que somos. Todo mundo ensaia, todo mundo se reúne no mesmo prédio, somos amigos e não há estrelismo. É natural, honesto. No meu coração, a música é um grande mundo sem fronteiras e eu sinto necessidade de tocar diferentes tipos de música, não apenas um tipo. Com essa banda, eu me sinto livre para explorar coletivamente diferentes tipos de música. Estamos compondo novas músicas, há um novo álbum a caminho, e ele soa como se fosse um grande ensaio, todo mundo improvisando. Mas o resultado, eu acho bom salientar, é Down music. Não há equivalente. Temos andado por aí desde 1992, então já fizemos nosso próprio caminho.

Phil, você já viu levantes jovens de todo tipo nesses últimos 20 anos. O que está achando agora desses acontecimentos em Londres?

Devo confessar que estou meio por fora do noticiário, sei apenas por cima o que está havendo em Londres. Mas sei como têm agido os governos em Londres e na Europa. Não digo que os jovens estão fazendo a coisa do jeito certo. Acho que os garotos estão se comportando como "bandwagon jumpers" (gíria que designa um jeito de pular de um galho para outro conforme a situação piora). É a moda do momento quebrar tudo? Então vamos quebrar. Isso acontece muito na América também, que é um país muito jovem. Na Inglaterra, há relatos de brutalidade policial, assim como nos Estados Unidos. E é evidente que os jovens não estão felizes, tanto lá como aqui. Mas não estou dizendo que a rebelião é boa por si só, o fato é que há algo errado. E sempre acho que é bom que as pessoas saiam de suas casas para protestar, que saiam do seu conforto para fazer algo e mudar o panorama, mas também é bom que isso seja feito de uma forma razoável, de cabeça fria.

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