Acid jazz renovou som black

Time de cantores da pesada se reveza no Incognito

O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2013 | 02h08

O grupo britânico Incognito foi ponta de lança da onda batizada como acid jazz (ou jazz rap, como alguns preferiram), uma música híbrida de funk, soul, jazz e hip-hop surgida em meados dos anos 1990. O Free Jazz Festival de 1996 já capturava o espírito dessa nova bossa, com Guru and Jazzmatazz e Incognito como atrações.

A onda tinha como molas propulsoras bandas como Guru and Jazzmatazz, Digable Planets, A Tribe Called Quest, US3, Buckshot Lefonque. Naquela época, um single de acid jazz, Cantaloop, na versão do US3, acabou conquistando um lugar na música mainstream da Inglaterra e nos Estados Unidos. O rótulo acid jazz desgastou-se juntamente com sua assimilação por uma estética yuppie, algo que se tornava artificialmente "chique" nos comerciais de TV, grifes descoladas e programas de rádio.

Foi na esteira do acid jazz que surgiu o trip hop, gênero mais "viajandão" que teve como expoentes Massive Attack e Portishead. A linha evolutiva não parou de funcionar, gestando grupos como o americano Soulive.

Curioso notar que o acid jazz claramente bebeu em fontes do chamado samba jazz brasileiro. O Incognito, por exemplo, teve seu insight quanto Bluey ouviu Mr. Funk Samba, do Black Rio, e discos de Sergio Mendes. Em 2004, no disco Who Needs Love? (Trama), ele tinha como convidado Ed Motta e uma faixa chamada Cada Dia (Day by Day), que continha os seguintes versos: "Sonho com a Bahia todo dia/Espero vê-la em breve/Um dia/Eu rezo." Paraty veio primeiro.

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