‘Acho que sou meio vintage’, diz Valéria Monteiro

Jornalista volta às telas em 'O Show da Vida É Fantástico', que relembra clipes do dominical nos anos 1980 e 1990

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2014 | 02h24

Conservada na memória de quem assistia aos telejornais da Globo no final da década de 1980, Valéria Monteiro pouco mudou nos mais de dez anos em que ficou fora do ar. Aos 49, ela retorna à TV para comandar O Show da Vida é Fantástico, no canal Viva, e prefere a modéstia ao ouvir comentários de que mantém o ar juvenil.

"É o trabalho da equipe. Desde a figurinista, a maquiadora, o cabeleireiro e o diretor de fotografia. Tudo isso ajuda a gente a aparecer bem", disfarça. Na atração, prevista para estrear em 19 de maio, às 23 horas, ela receberá artistas como Paulo Ricardo, Wanderléa e Guilherme Arantes para assistir e conversar sobre os videoclipes que o Fantástico exibia nos anos 1980. "É um projeto que vai trazer a lembrança de um momento especial da TV. Reencontrei pessoas com quem fiz amizade há muito tempo e não tive a chance de reencontrar. O João Bosco me emocionou quando tocou uma música, mexeu com a memória afetiva. Acho que isso vai acontecer com muita gente que vai assistir", aposta.

O programa faz parte das comemorações de quatro anos do Viva, canal que celebra produções antigas. Valéria, porém, não se incomoda por ter sido lembrada como uma referência do passado. "Acho que sou meio vintage e isso é bom. Só acontece quando a gente tem uma marca. Não é velho, é raro", defende. O visual da época dos vídeos mostrados na atração, em que ombreiras estavam em alta, tampouco são uma recordação ruim. "Acho divertido, uma graça. Quando me olho há 20 anos, há um certo distanciamento. É como se fosse outra pessoa, parece a minha filha", disse ao Estado, por telefone, citando a herdeira, Vitória, que segue os passos da mãe na TV e é estagiária no Projac.

A apresentadora lembra que a exibição dos videoclipes do Fantástico, em um tempo anterior à chegada da MTV ao Brasil, causava frisson. "Hoje, a gente vê tudo pela internet, está acostumado com canais segmentados. As pessoas não têm ideia do impacto na época. Era uma coisa mais lenta. A gente esperava os discos serem lançados para ganhar no Natal", recorda.

Carreira. A última função de Valéria Monteiro na TV nacional foi no final dos anos 1990, no A Casa É Sua, da RedeTV!, em que a mineira gravava em Nova York, para onde se mudou depois de sair da Globo, onde foi a primeira mulher na bancada do Jornal Nacional. Nos EUA, chegou trabalhar em emissoras de lá, como NBC e Bloomberg. Quando voltou ao País, radicou-se em Campinas, mas se divide entre Rio e São Paulo.

O retorno à telinha passou por imbróglios. "Em algumas épocas foi por opção minha, em outras, falta de oportunidade. É difícil direcionar uma carreira para a vida toda. Às vezes, a oportunidade não casa com a vontade", explica ela, que teve sua incursão na ficção na minissérie Incidente em Antares (1994).

"Quando saí do jornalismo, foi uma libertação. Pude ter o cabelo da cor e do comprimento que quisesse. Eu tinha 21 anos quando cheguei à Globo. Foi um reencontro com a minha juventude", orgulha-se. Hoje, ela escreve dois roteiros de cinema e tem um projeto de site feminino para a internet, pensado ainda nos EUA. "Quando tentei implementar, acharam que eu era louca. Acho que este é o momento."

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