Acervo do museu é um resumo do projeto moderno

Análise: Antonio Gonçalves Filho

O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2012 | 03h09

A coleção do Museu d'Orsay, inaugurado pelo ex-presidente François Mitterrand em 1986, é um resumo das principais conquistas da modernidade na pintura, desde a tela O Almoço sobre a Relva (1863), de Manet - considerada imoral e ofensiva pelos críticos da época, por retratar uma mulher nua entre duas figuras masculinas vestidas -, a uma das últimas obras de Gauguin, O Cavalo Branco (1898), passando pela popularíssima pintura de Van Gogh, O Quarto em Arles (1889), além, é claro, das polêmicas Olympia (1863), em que Manet retrata a insolente nudez de Victorine Meurant, e A Origem do Mundo (1866), visão macroscópica do sexo feminino por Courbet.

Nenhum deles está na exposição Impressionismo: Paris e Modernidade, mas a curadoria buscou compensar essas ausências com obras que se tornaram igualmente históricas - não exatamente pelos temas ousados, mas pela inovação estilística que determinou os rumos do movimento artístico que tanto impressionou Marcel Proust. O autor, aliás, ambientou passagens de Em Busca do Tempo Perdido na Gare d'Orsay, a antiga estação ferroviária inaugurada em 1900 e que, prestes a ser demolida nos anos 1970, foi salva e transformada no Museu d'Orsay, graças a protestos da comunidade intelectual francesa.

Entre os quadros históricos no CCBB está uma obra-prima pintada por Monet em 1877, A Estação Saint-Lazare, que por si já era um símbolo da modernidade parisiense com sua estrutura em ferro e vidro. Há várias versões da tela, mas esta é a mais célebre, não por destacar a arquitetura moderna da gare, mas por sacrificar suas formas em troca da atmosfera criada pela fumaça violeta dos trens.

Outro destaque da mostra é uma tela de grandes dimensões (161 cm x 97 cm), O Tocador de Pífaro (1866), de Manet, em que o pintor, influenciado pela pintura espanhola, afirma a bidimensionalidade do quadro apenas pela sombra dos pés do garoto das tropas da Guarda Imperial. Van Gogh (O Salão de Baile em Arles, 1888), Cézanne (Autorretrato com Fundo Rosa, 1875) e Gauguin (Camponesas da Bretanha, 1894) são outros três nomes incontornáveis da exposição do CCBB.

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