Acervo de Drummond fica em Itabira

Por R$ 21 mil, fundação que leva o nome do poeta compra cartas, fotos, duplicatas e recibos de colecionador de Lavras

Rene Moreira, Especial para O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2013 | 02h16

FRANCA - A Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade adquiriu de um colecionador de Lavras (MG) um acervo formado, principalmente, por cartas e fotos do poeta. Todo o material foi levado para Itabira (MG), terra natal de Drummond (1902-1987), sede da fundação e onde existe um memorial em sua homenagem.

Nas cartas, há desde textos que evidenciam o carinho pelos pais até relatos políticos, revelando um lado até então pouco conhecido de um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Para Marconi Drummond Lage, primo do poeta e superintendente da fundação, trata-se de um material importante e que mostra uma face inédita. As cartas serão cruzadas com outros documentos importantes para se conhecer ainda melhor quem foi Carlos Drummond de Andrade.

Se estivesse vivo, ele teria completando 111 anos na última quinta-feira, dia 31, data em que o acervo foi entregue ao novo dono e mudou de endereço. Neste dia, por causa do aniversário, foram realizados eventos em diversas cidades brasileiras dentro da programação do Dia D, que presta, há três anos, homenagem ao poeta - a ideia é que a data seja comemorada anualmente.

O valor do negócio foi fixado em R$ 21 mil, preço levantado em avaliação feita no início deste ano. São 212 documentos no total. Além de cartas e fotos, há cartões, duplicatas e até recibos. O item mais antigo é uma nota promissória datada de 1915. O então proprietário do acervo, Eduardo Cicarelli, disse que queria vender o material porque não tinha como atender a todos que o procuravam pedindo para ver.

Após ter contado em reportagem publicada pelo Caderno 2, em setembro, que pretendia comercializar o acervo, ele diz ter recebido propostas de um site inglês e de pesquisadores franceses. Porém, gostaria que tudo ficasse em Minas Gerais, o que o levou a optar pela fundação. Ele havia comprado o material no Rio de Janeiro há mais de 20 anos de Ita, cunhada de Drummond. Ela herdou as cartas de Julieta Augusta, a mãe do poeta, de quem cuidou no fim da vida.

Todo o material estará disponível ao público, mas antes será higienizado e acondicionado de forma a se manter conservado. Também será digitalizado com a finalidade de se criar um banco de dados, o que poderá colocar o memorial em Itabira, que recebe 11 mil visitantes por ano, na posição de um dos principais locais a se preservar a memória de Drummond. Lembranças do poeta também estão disponíveis na Fundação Casa de Rui Barbosa e no Instituto Moreira Salles, ambos no Rio de Janeiro.

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