Acervo da imperatriz Tereza Cristina será restaurado

A catalogação e restauro da Coleção Imperatriz Tereza Cristina, um acervo de cerca de 700 peças de arte da antigüidade clássica, trazida para o Brasil pela mulher de dom Pedro II, entrou na fase final de planejamento.Esta semana, o consultor de arte da União Latina e professor de Arte Arqueológica da Sorbonne, Henry Lavagne, veio ao Rio para iniciar a curadoria do projeto, que deve começar no ano que vem e durar dois anos, com a participação de técnicos italianos e brasileiros. Em 2005, está prevista uma exposição para mostrar os resultados no Rio e em São Paulo. A imperatriz trouxe um pequeno acervo quando chegou ao Brasil, em 1843, mas o fez crescer nos quase 40 anos que morou aqui. "É uma coleção importante, porque evidencia a personalidade intelectual da rainha brasileira. Ela era filha do rei das Duas Sicílias (que no século 19 abrangia todo o sul da Itália) e queria mostrar a seus novos súditos sua cultura, como viviam seus antepassados", contou Lavagne, após visitar a Quinta, o Museu Imperial de Petrópolis e a Biblioteca Nacional para ver de perto as peças. "Algumas estão em bom estado, mas metade está bastante avariada, por estarem guardadas há muito tempo. Vamos restaurá-las e ensinar a artesãos brasileiros a tecnologia para sua manutenção." República - O projeto será levado a cabo pelos Ministérios da Cultura (que o aprovou na Lei Rouanet), da Educação (ao qual está ligada a Quinta da Boa Vista) e das Relações Exteriores (pois envolve também os governos da Itália, onde a imperatriz nasceu, e da França, onde ela se exilou após a República), através da União Latina, que dará assessoria técnica.Lavagne lembrou ainda que a coleção se completa com a existente no Castelo Château D´Eu, na Normandia, norte da França, onde Tereza Cristina viveu seu exílio e onde está até hoje um acervo de arte brasileira.Segundo o curador, os objetos de vidro, terracota e bronze são os mais avariados. "Os dois primeiros materiais se quebraram e o bronze enegrece. É preciso limpá-lo e usar uma substância apropriada para interromper esse processo", disse. "Essa tecnologia foi criada pelo Arquivo Central Arqueológico da Itália, mas será adaptada às condições climáticas do Rio, que juntam calor, excesso de luz e umidade."Tereza Cristina casou-se com dom Pedro II aos 21 anos, mas é pouco conhecida dos brasileiros, pois toda a propaganda política da época almejava a figura do imperador.

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