ACERTO DE CONTAS COM O PASSADO, EMBORA NÃO VIVIDO

Em 1990, viviam na França quase 800 mil pessoas de origem portuguesa - 600 mil nascidas em Portugal e 195 mil, na própria França. José Luís Peixoto não está incluído nessa estatística, mas a emigração é um assunto que o acompanha, bem como o fato de não ter vivido a ditadura, porque diz respeito a seu povo e a sua família. Seus pais saíram de Galveias, hoje com cerca de mil habitantes, no começo dos anos 60, rumo à França. Levaram uma filha pequena e lá tiveram outra. Voltaram antes de Peixoto nascer, em 1974.

O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h08

"Quando os meus pais e as minhas irmãs falavam da França, esse era um assunto que me excluía", conta o escritor, vencedor em 2001 do Prêmio Saramago e que está em Macau para o 1º Festival Literário. Escolheu, então, esse pano de fundo para seu novo romance, Livro. Nele, o leitor acompanha quase 70 anos na vida de Idílio e Adelaide - uma história contada à luz de candeeiros de petróleo e ao som de matança de porcos, que se alterna entre construções e quintais da vila rural e casas de latas e quitinetes parisienses. Relações familiares e de amizade, descobertas, encontros, separações, travessias precárias na busca de um amor, desencontros e a conquista de uma situação mais próspera são alguns dos temas da obra. Da primeira parte, vale dizer. E só ela já daria um grande livro.

Mas este não é um romance do século 19 e Peixoto deixa claro quando seu narrador, Livro, se apresenta e muda a direção do enredo. "Tentei escrever um romance que pertencesse a esse tempo. Fazer a súmula da história através da inclusão de diversos estilos é uma forma de chegar ao tempo presente", diz. / M.F.R.

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