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Ação entre amigos

Sucesso absoluto na rede, o Porta dos Fundos agora ataca em livro

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2013 | 20h07

Os números impressionam: há um ano na web, a Porta dos Fundos, produtora de vídeos de humor, já soma quase 5 milhões de internautas, além de 400 milhões de exibições de vídeos.

Para desvendar o segredo, basta acessar o site e quase perder o fôlego de tanto rir com os esquetes ou ainda criar a própria imagem lendo os principais roteiros, selecionados pelos humoristas e publicados agora pela Sextante – Porta dos Fundos reúne 37 textos criados pelos fundadores (Antonio Pedro Tabet, Fábio Porchat, Gabriel Esteves, Gregório Duvivier, Ian SBF e João Vicente de Castro), que estarão nesta quarta, 7/8, no lançamento do livro, a partir das 18 horas, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

“O Porta surgiu no momento em que se começou a perceber que um produto para a internet não precisa ser necessariamente tosco. Ou involuntário. O povo da internet não é diferente do restante do povo: ele quer qualidade”, comenta o grupo, no texto de apresentação do livro.

Segundo eles, nenhum roteiro que não fosse reescrito ao menos uma vez chegou a ser filmado. Tal perfeccionismo ajuda a explicar a forma hilariante e crítica com que assuntos banais são tratados.

O vídeo mais acessado, por exemplo, surgiu quando Fábio Porchat, colunista do Caderno 2, percebeu nunca ter encontrado seu nome em uma lata de refrigerante. “Isso me fez pensar: se eu não encontro o meu nome, o que dirá a Brigite.”

Sobre a Mesa nasceu quando Antonio Pedro Tabet testemunhou um homem sendo grosseiro com a esposa em um restaurante. “Pensei no que aquela mulher gostaria de dizer para aquele crápula”, diz Tabet.

Traveco da Firma, escrito por Gregório Duvivier e Ian SBF, que abre o livro, mostra a surpresa de Jorge que, ao buscar prazer com um travesti, encontra Maurício, colega do trabalho, devidamente ‘montado’. O trabalho extra é necessário para garantir a qualidade de vida.

Finalmente, Spoleto, criação de Porchat, foi o primeiro grande sucesso dessa turma. “Tentamos gravar o esquete em uma filial da rede de restaurantes Spoleto, mas a empresa não permitiu. Fizemos em outro lugar e o título original era Fast-food. Quando estourou, a direção do Spoleto veio atrás da gente querendo patrocinar o vídeo e ainda encomendou outros dois”, comenta no livro o comediante carioca, que também é ator e redator. De fato, hoje, ao todo, já se somam nove milhões de views.

O comentário é uma das boas-novas da obra: antes do início de cada roteiro, seu autor revela algum segredo de bastidor sobre a origem da ideia e sua execução. Graças a isso, é possível descobrir que Porchat adora brincar com religião (seu Moisés em Dez Mandamentos é hilariante) e que Duvivier não se importa em brincar com a política (em Superávit, ele ironiza os princípios dos políticos ao tentar mesurar quanto tempo é possível viver em Brasília antes de começar a desviar dinheiro).

Curiosamente, o livro não traz o roteiro de um famoso esquete, Rola, que horrorizou um cidadão em Brasília a ponto de ele entrar com um pedido de remoção do vídeo na promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor, alegando que a história ofendia a moral e os bons costumes dos cidadãos. O pedido foi negado.

No início de cada capítulo, há um QR Code que leva diretamente ao vídeo no YouTube. Além do livro, o grupo deverá lançar, até dezembro, um DVD com os principais esquetes. E antes, em setembro, atendendo a muitos pedidos, produtos como camisetas e canecas com a marca estampada chegam às lojas.

Mesmo não atrelada a nenhuma emissora de televisão, aberta ou fechada (e não há planos de que isso aconteça), a Porta dos Fundos é um sucesso consumado. De público e financeiro. Desde abril, o site é patrocinado pela Itaipava e logo Fiat e Coca-Cola reforçarão o time.

PORTA DOS FUNDOS

Editora: Sextante (240 págs., R$ 49,90)

Lançamento: Livraria Cultura. Av. Paulista, 2.073, Conj. Nacional.

Hoje, 18h.

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