Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Academia Brasileira de Letras escolhe imortal hoje

Novo ocupante da cadeira nº 10, que é disputada por 15 candidatos, será anunciado no Rio

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2013 | 02h18

Hoje deverá ser anunciado mais um imortal entre nós. A Academia Brasileira de Letras vai escolher o sexto ocupante da cadeira de número 10, vaga desde o dia 23 de dezembro, quando o poeta alagoano Lêdo Ivo morreu, aos 88 anos, em Sevilha, na Espanha. Na disputa, estão 15 candidatos com diferentes perfis e trajetórias, mantendo a tradição da ABL de não restringir a disputa somente aos literatos.

Um dos nomes mais fortes na eleição é o do escritor carioca Antonio Cícero, que mostra em sua extensa bibliografia uma desenvoltura para ir do erudito ao popular. Com uma produção literária que vai dos ensaios filosóficos às letras de músicas que fizeram sucesso no repertório de Marina Lima, irmã de Cícero, o escritor se candidatou incentivado por membros da ABL que gostariam de manter a cadeira ocupada por um poeta. Antes de Ivo, a cadeira, cujo patrono é o árcade Evaristo da Veiga, fora ocupada por Rui Barbosa, Laudelino Freire, Osvaldo Orico e Orígenes Lessa.

Cícero circula com frequência pelo Petit Trianon, participando de diversas atividades na sede da Academia - hábito semelhante ao do confrade Geraldo Holanda Cavalcanti quando ainda era apenas um candidato à cadeira deixada pelo intelectual José Mindlin, morto em 2010. Cícero agora enfrenta menos concorrências de peso, já que João Almino, diplomata e premiado escritor, que também havia se inscrito por sugestão de acadêmicos, desistiu da candidatura. Restam entre os poetas inscritos nomes como o do pernambucano Marcus Accioly, que conta com o apoio do primo Eduardo Campos, governador daquele Estado.

Mas a favorita ao posto é a jornalista e escritora carioca Rosiska Darcy de Oliveira, a primeira a se candidatar, quando foram abertas as inscrições no dia 10 de janeiro, assim que terminou a Sessão da Saudade - ritual com que os imortais se despediram de Ivo. Autora de obras como Elogio da Diferença, Rosiska é presidente da ONG Rio Como Vamos e cria projetos para o desenvolvimento de lideranças femininas. Ela prefere conversar sobre a eleição só depois do resultado, "seja ele bom ou ruim". Se o favoritismo se confirmar, Rosiska será a oitava mulher a integrar a Academia.

Atualmente, quatro delas ocupam cadeiras na ABL: a presidente Ana Maria Machado, em seu segundo mandato, que também quer aguardar o resultado da eleição antes de se pronunciar; Nélida Piñon, primeira mulher a presidir a ABL; Lygia Fagundes Telles, eleita há quase três décadas; e Cleonice Berardelli, a mais nova a ocupar uma cadeira, em 2009. A única na disputa com Rosiska é a historiadora Mary del Priore, autora de 36 livros, que acredita que sua presença na instituição pode contribuir para que, com a visibilidade da ABL, novos leitores se interessem mais também por um outro tipo de história - a com H maiúsculo.

Não há grandes restrições à inscrição para concorrer a uma vaga entre os ilustres integrantes da Academia - basta ser brasileiro e ter ao menos um livro publicado. Por isso, na disputa entram escritores não muito conhecidos fora de seus eixos literários. É o caso de Wilson Roberto de Carvalho Almeida, presidente da Academia Joseense de Letras (de São José dos Campos), do advogado aposentado Blasco Peres Rego, uma celebridade em Bauru, e do poeta piauiense Diego Mendes de Souza, de 23 anos, o mais jovem entre os candidatos.

Mas se o volume de livros publicados fosse critério, não haveria concorrência para o sergipano Felisbelo da Silva, 83 anos. Ele, que concorre a uma vaga no panteão há duas décadas e perdeu mais de dez eleições, diz ter mais de 800 publicações. "Podia ter desistido, mas na minha obra eu prego a persistência. Seria um contrassenso", afirma.

O estatuto da ABL estabelece que a sessão deverá ter no máximo quatro escrutínios, e será eleito quem conquistar a maioria absoluta dos 38 votos possíveis. Caso nenhum dos candidatos conquiste os 20 votos necessários, a cadeira será declarada vaga, e os candidatos em potencial, independentemente de serem os mesmos ou não, terão um mês para se inscreverem. Nesse caso, deverá ser marcada uma nova eleição para julho.

OS CONCORRENTES:

- ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA- ANTONIO CÍCERO

- MARCUS ACCIOLY

- DIEGO MENDES DE SOUZA

- FELISBELO DA SILVA- JOSÉ PAULA DA SILVA FERREIRA

- BLASCO PERES REGO- MARY DEL PRIORE- JOAQUIM CAVALCANTI DE OLIVEIRA NETO- CARLOS ALVES JR.- WILSON ROBERTO DE CARVALHO ALMEIDA- CEZAR AUGUSTO DA SILVA BATISTA- JOSÉ WILLIAM VAVRUK- JOÃO FRANCISCO GUIMARÃES- FRANCISCO JOSÉ DA SILVA

Próxima eleição:

Fernando Henrique Cardoso é o favorito a ocupar a cadeira 36, vaga desde 22 de março, quando morreu o escritor paulista João de Scantimburgo. A eleição deve ocorrer no fim de junho.

Tudo o que sabemos sobre:
Academia Brasileira de Letras

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.