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Abutres, uma história humana

Candidato da Argentina a uma indicação para o Oscar de melhor filme estrangeiro do ano, Abutres estreia hoje depois de abrir a Mostra de Direitos Humanos que trouxe à cidade seu ator principal, Ricardo Darín, na semana passada. Se Abutres for selecionado - o filme concorre à vaga com o brasileiro Lula, Filho do Brasil, de Fábio Barreto -, Darín estará de volta à festa da academia, na qual outro filme dele, O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella, foi o grande vencedor, no ano passado.

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2010 | 00h00

Abutres chega para reafirmar a pujança do cinema argentino. Exibe as qualidades que costumam ser associadas à produção do país vizinho. Histórias humanas, bem escritas e dirigidas, relevância social. No Festival do Rio, o diretor Pablo Trapero tentou minimizar essa decantada superioridade da produção argentina. "O que você está dizendo (sobre essas qualidades) se aplica a um certo número de filmes e não a toda a produção. Poderia dizer o mesmo de alguns filmes brasileiros. Contam histórias atraentes, são bem realizados e muito bem interpretados. Vocês têm atores fantásticos."

Abutres chama-se, no original, Carancho. É o nome de uma ave predadora do noroeste argentino. Alimenta-se de restos de outros animais e até humanos. Um abutre também é, de certa forma, o personagem representado por Darín em seu novo filme. Nos últimos anos, aumentou muito o número de acidentes com vítimas na Argentina. Como consequência, criou-se uma verdadeira indústria do acidente, com advogados especializados em defender as famílias das vítimas.

link Assista ao trailer do filme Abutres

link Entrevista com Ricardo Darín

Não que eles estejam muito interessados nos mortos e feridos. Mas é possível tirar um bom dinheiro das seguradoras. O advogado que Darín interpreta é o abutre perfeito. Tem o instinto do sangue e a lábia para convencer as famílias a lhe entregarem os casos. Às vezes, ele entra em atrito, mas essa é outra história.

No filme, Darín termina por relacionar-se com uma médica que atende a esses mortos e feridos. É interpretada por Martina Guzmán, mulher do diretor. A própria médica, a princípio altruísta, revela suas ambivalências. Trapero não simplifica as coisas. Você não precisa gostar (só) de cinema argentino para perceber as imensas qualidades de Abutres, o filme.

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