Absinto ganha versão nacional

O absinto está de volta ao Brasil - e pode ser bebido sem censura. No ano passado, chegaram de Portugal algumas caixas da marca Neto Costa, trazidas pela Companhia Gastronômica, de São Paulo. Ao desembarcar, o licor foi recolhido pelo Ministério da Agricultura, pois apresentava teor alcoólico superior ao limite brasileiro de 54º. Enquadrou-se na legislação e acabou liberado. Nesta semana, o publicitário Washington Olivetto, sócio da Dubar, lançou oficialmente em São Paulo o Lautrec, um absinto genuinamente brasileiro. Seu nome homenageia o grande pintor, desenhista e gravador da belle époque. Além de retratar o licor, Toulouse-Lautrec o carregava em uma ampola escondida no cabo da bengala. O absinto atual não é rigorosamente o mesmo do passado. Seus ingredientes foram balanceados, para perder o efeito condenado, o teor alcoólico abaixou e, evidentemente, a tecnologia moderna produz bebidas de maior qualidade. O Lautrec é um absinto bem-feito. Possui aroma agradável, sabor pronunciado e excelente equilíbrio. O ainda elevado teor alcoólico, pois tem 50º, torna-o macio na boca, embora o faça descer como um tufão. Pode ser bebido puro, com ou sem açúcar adicional, ou em coquetéis, como todo o absinto. Misturado ao espumante branco, ao suco de limão, lima ou maracujá, resulta em drinques elegantes. Inspirados no exemplo dos colegas da belle époque, os artistas e publicitários Francesc Petit, José Zaragoza, Marcello Serpa, Tomaz Lorente, Erh Ray, Ana Carmen Longobardi, Magy Imobedorf, Julio Andery, Marcelo Gianinni e Eduardo Martins criaram bonitos cartazes para o Lautrec. A mística continua. "De todos os privilégios que a História nos legou, o absinto é o único que se bebe", afirma a propaganda do licor da Dubar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.