ABL reabre disputa pela vaga de Roberto Campos

A segunda tentativa de eleger o imortal que vai substituir o economista Roberto Campos na Academia Brasileira de Letras está acirrada, embora a data marcada seja 25 de julho. O cientista político Hélio Jaguaribe e o escritor Paulo Coelho, que disputaram os quatro escrutínios da primeira eleição, em 21 de março, já se inscreveram, mas o diplomata Mário Gibson Barbosa, também votado, ainda não decidiu se voltará a concorrer. Há ainda dois outros candidatos pouco conhecidos nacionalmente, os escritores Paulo Hirano, do Paraná, e Waldermar Cláudio dos Santos, que já tentou outras vezes.A primeira eleição teve 11 candidatos, mas só três receberam votos, embora nenhum tenha alcançado os 19 votos necessários para a vitória. O processo recomeçou, mas agora haverá pelo menos mais uma eleitora, a viúva do escritor Jorge Amado, Zélia Gattai, eleita para a vaga dele no fim do ano passado e que toma posse no dia 21 de maio. Se o jurista e historiador Raymundo Faoro, eleito para a vaga de Barbosa Lima Sobrinho, em 2000, tomar posse até julho, o numero de acadêmicos subirá para 39 o eleito deverá ter pelo menos 20 votos.Jaguaribe e Coelho garantiram que se candidatavam de novo logo após o resultado da primeira eleição e enviaram carta ao presidente da ABL, Alberto da Costa e Silva, na semana seguinte. O cientista político considerou simpático o resultado, entre 14 e 17 votos nos quatro escrutínios. "Se não fossem os votos por carta, que impedem a mudança de opinião do acadêmico, talvez eu me elegesse", disse ele hoje. Ele acha que os novos eleitores vão equilibrar a próxima disputa. "É mera suposição, mas pelo perfil dos dois novos acadêmicos, acho que a Zélia se inclina para o Paulo Coelho e o Faoro, para o meu lado."Apesar de ter dito que cumpriria o ritual de visitar os candidatos, Coelho já viajou para cumprir compromissos no exterior e só deve voltar às vésperas da eleição. Mas ele ficou animado com o resultado dos quatro escrutínios, em que começou com dez votos e chegou a 12. Gibson também vai estar fora do Brasil até o fim de maio e só então decide sobre sua nova candidatura. "Os dois candidatos já inscritos são fortes e eu preciso avaliar minhas chances", disse ele hoje. "Será que vale a pena repetir o empate do último pleito?"

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