ABL quer Rachel de Queiroz no Nobel

A Academia Brasileira de Letras organizou hoje uma grande homenagem à escritora Rachel de Queiroz, que está completando 90 anos. Durante os discursos dos acadêmicos, Antônio Olinto pediu a indicação da romancista cearense para o prêmio Nobel de Literatura de 2001."Na semana que vem responderemos à carta da Real Academia Sueca e eu proponho que indiquemos Rachel como candidata brasileira ao Nobel", disse o acadêmico Antônio Olinto referindo-se à convocatória da academia de Estocolmo para que o Brasil indique seu candidato ao prêmio. É responsabilidade da ABL indicar a cada ano um escritor para o Nobel. Olinto foi muito aplaudido após seu discurso.A cerimônia foi tradicional, com direito a bolo com o poema que Manuel Bandeira dedicou à escritora. Como desejo de aniversário, Rachel foi taxativa: "Quero que este País tome jeito... com o Ceará na frente"!Além de muitos dos acadêmicos, outras figuras ilustres estavam presentes à festa. A atriz Fernanda Montenegro lembrou o papel importante de Rachel de Queiroz na formação dos artistas brasileiros. "Ela é uma guerreira desde que nasceu, com 19 anos já escrevia, já ia à luta", disse Fernanda. Ela protagonizou alguns personagens da escritora nas novelas da Rádio MEC, entre os anos 40 e 50. "Não me lembro de todos, mas fiz O Quinze e sempre lia as crônicas dela na rádio".O presidente da academia, Tarcísio Padilha, que dentre os livros de Rachel de Queiroz prefere Dôra, Doralina e Memorial de Maria Moura, chamou atenção para a representatividade feminina de Rachel. "O feminismo que eu vejo por aí é ressentido. A autêntica feminista é Rachel porque é o feminismo da presença consciente, da coragem e da determinação da mulher". Ela foi a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras.Em vários dos discursos, os imortais reforçaram a vontade de celebrarem juntos o centenário de Rachel. "Quero ver uma nova versão do Memorial de Maria Moura daqui a dez anos, no seu centenário", disse Evandro Lins e Silva. Arnaldo Niskier, um dos mais emocionados, lembrou e louvou a sua lucidez "cada vez maior". "Eu perguntei a Rachel por que ela, estando tão bem, insiste em dizer que está doente". E a resposta pronta da escritora: "Para me livrar dos chatos".

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