ABL pede a volta da literatura às escolas

A Academia Brasileira de Letras (ABL)está insatisfeita com o ensino de Português nos níveis médio efundamental e entregou hoje ao ministro da Educação, CristovamBuarque, um documento com 11 sugestões para melhorar a qualidadedas aulas. Segundo o presidente da Casa, professor Alberto Costae Silva, é preciso voltar a ensinar nas escolas a norma culta ea literatura. Esta última foi retirada dos currículos na gestãoanterior, do ministro Paulo Renato Souza. Buarque foi à ABLpedir apoio da instituição para seu projeto de acabar com oanalfabetismo em até 2006 e receber a medalha Machado de Assis. Antes da sua chegada, os acadêmicos explicaram que aqueda na qualidade de ensino vem sendo aferida em seus contatoscom estudantes e profissionais recém-saídos da universidade. "Sóconhecendo a literatura de um país é possível entendê-lo", disseCosta e Silva."É preciso também reforçar a norma culta do ensinofundamental e médio porque é ela quem une as diversas formas defalar regionais, profissionais e entre as classes sociais. Hojeensina-se a fala popular nas escolas, que é importante, mas nãodeve ser aprendida em sala de aula", acrescentou Costa e Silva. Cristovam Buarque concordou com a necessidade daliteratura, lembrou que desde o governo passado sua pastadistribui livros para os estudantes e pediu aos imortais queincentivassem a criação de textos literários pararecém-alfabetizados. Para ele, a luta contra o analfabetismo temtrês frentes: cultural, pois os brasileiros dão poucaimportância à educação; política, já que a elite não se preocupacom outras classes sociais que não a sua, e corporativa. "Quandose fala em inovações em educação, não se pensa no benefício queelas trarão, mas em quanto custarão em dinheiro e em trabalhopara os professores", acusou o ministro. "É preciso combater esses três vícios." O documentoentregue ao ministro pede também o retorno das escolas normais(antigos institutos de educação) para formar professores daprimeira à quarta série do ensino fundamental (antigo Primário),pois o governo anterior estabeleceu um prazo até 2007 para quetodos os professores tenham nível superior e criou os InstitutosNormais Superiores ligados às universidades. Buarque discordoudos acadêmicos. "A exigência do curso superior é um avanço", garantiu."O que o governo fez foi alargar o prazo para seu cumprimento."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.