ABL já contabiliza vaga para Zélia Gattai

Oficialmente vaga desde as 18 horas, a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras, até então pertencente a Jorge Amado, só não será ocupada por sua viúva, Zélia Gattai, se ela não quiser. Pelo menos é o que diz o acadêmico Arnaldo Niskier, que já contabiliza 25 votos a favor de Zélia, a maioria dentro do universo de 39 eleitores. Indagado sobre a possível candidatura do humorista Jô Soares, que estaria disposto a desistir da disputa diante da viúva de Amado,Niskier foi categórico. ?Então, ele deve preparar a retirada. Fizemos cálculos discretos e ela já tem 25 votos. Só precisa ela dizer que écandidata?, afirmou.?Ela é imbatível?, concordou Antônio Olinto. O fato de ser mulher, paulista de nascença e baiana por opção, são fatores que, na opinião desses acadêmicos fortalecem o nome de Zélia, autora de livros como Anarquistas Graças a Deus, adaptado em uma minissérie da Rede Globo. ?Já tem carioca demais. Ela pega dois estados, São Paulo e a Bahia?, disse Niskier.Atualmente, a ABL conta com apenas três mulheres: Nélida Piñon, Rachel de Queiróz e Lígia Fagundes Telles. Nélida, presente ontem à sessão quehomenageou o escritor morto, não citou nomes, mas defendeu a presença de mais representantes do sexo feminino na instituição. ?Acho que a Academia precisa de mulheres importantes, com obras. No meio literário, a mulher é discriminada. Há pouquíssimas mulheres na ABL?, declarou.O presidente da ABL, Tarcísio Padilha, também foi diplomático e não declinou nomes, mas suas palavras deixaram entrever um possível apoio acandidatura Zélia. ?A mulher ainda não ocupa o lugar que merece na sociedade. Quantas são reitoras, ministras de tribunais superiores,senadoras? O século 20 viu a emergência do feminino, mas esse ainda é um processo embrionário?, afirmou, ressaltando que como presidente da instituição não poderia se pronunciar sobre candidaturas que, sequer,são oficiais.Outros nomes cogitados para a disputa da cadeira de Jorge Amado são os dos escritores Paulo Coelho, Fernando Sabino e Antônio Torres e o ex-cardeal do Rio, dom Eugênio Salles. Qualquer brasileiro maior de 18 anos, que tenha pelo menos um livro publicado, pode se candidatar à vaga.

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