ABL abre o ano de casa cheia e renovada

A Academia Brasileira de Letras (ABL) começa o ano de casa renovada. A primeira sessão de 2001 acontece amanhã e os imortais verão o Petit Trianon restaurado, ao custo de R$ 100 mil. O saguão e as salas dos Fundadores e de Machado de Assis foram reformados e ganharam a aparência da década de 20 do século passado, quando o imóvel foi doado à instituição pelo governo francês. Também pela primeira vez, em muitos anos, a Academia começa o ano com seu quadro completo. Com a eleição do jurista Raymundo Faoro e do filólogo Nildo Bechara, no fim do ano passado, as 40 cadeiras estão ocupadas.Além da posse dos dois novos acadêmicos, ainda sem data marcada, quatro grandes homenagens estão previstas. Em abril, comemora-se o centenário de José Lins do Rego; em maio, os 150 anos do nascimento de Sílvio Romero e, em junho, os cem anos do de Cecília Meirelles. No segundo semestre, Euclides da Cunha será homenageado, numa preparação para o centenário de lançamento de Os Sertões, que acontece em 2002. "Pretendemos ainda fazer uma exposição sobre os cardápios de Olavo Billac. Pouca gente sabe, mas além de poeta ele era um gourmet", lembrou o também poeta e secretário-geral da Academia, Carlos Costa e Silva. "Vamos realizar ainda uma mostra sobre o simbolismo e a poesia no século 20."Ressurreição - A primeira-secretária da ABL, a escritora Lygia Fagundes Telles, classificou como "ressurreição do que estava oculto" a restauração do Petit Trianon, que levou três meses, coordenada pelo museólogo Anselmo Maciel. Não sem razão, já que tesouros que estavam escondidos pela ação do tempo foram redescobertos. O bronze dourado dos lustres, as formas e cores dos bustos e retratos de escritores, feitos por Rodolfo Bernardelli e Cândido Portinari e os pisos de mármore e madeira de lei ganharam nova aparência.Mas a grande surpresa foram os florões do saguão, feitos em pedra de Coade, um tipo de argamassa que só era fabricada na Inglaterra até o fim do século passado. A restauração da Academia começou em 1994, ainda na gestão de Josué Montello, que reformou as salas de audiência e do plenário e o salão de chá. Nas décadas anteriores, o prédio mantinha a mesma aparência de sua construção, em 1922, como pavilhão francês da Exposição do Centenário da Independência. "Durante os 35 anos da gestão de Austregésilo de Athayde, não houve obras porque ele se preocupou em criar um patrimônio para esta casa, dar-lhe autonomia financeira", contou o presidente da ABL, Tarcísio Padilha. "Por isso, hoje usamos recursos próprios em nossas reformas."Os planos agora são de restaurar a biblioteca que funciona no segundo andar. O salão será reformado e climatizado para receber as obras raras e os outros 100 mil livros do acervo vão para o segundo andar do Palácio Austregésilo de Athayde, edifício vizinho que pertence à Academia. "Desse modo, a biblioteca do Petit Trianon será destinada a pesquisadores e aos acadêmicos, enquanto os estudantes e o público em geral freqüentarão o outro prédio."

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