Aberta temporada de caça ao Guggenheim

Nem Reynaldo Giannechini nem Paulo Zulu. O homem mais cobiçado do País no momento é careca e desengonçado, veste ternos antiquados e tem os joelhos muito juntos, o que o faz andar dando a impressão de que vai cair a qualquer momento. Ele desembarca nesta quinta-feira no Rio para escolher uma cidade e um local para a instalação do mais novo Museu Guggenheim do planeta.Trata-se de Thomas Krens, o todo-poderoso presidente da Fundação Guggenheim de Nova York. Para ter um museu de Krens, o prefeito eleito do Rio, César Maia, chegou a dizer ao jornal O Globo que seria capaz de levantar os US$ 100 milhões necessários para a construção do novo edifício em sua cidade. E o senador pernambucano Roberto Freire ofereceu os prédios históricos do Recife para a escolha de Krens.Em São Paulo - que já está praticamente descartada, a despeito dos esforços do banqueiro Edemar Cid Ferreira -, o governador Mário Covas chegou a oferecer o Parque Villa-Lobos para a instalação do museu, quando da primeira visita de Krens ao País, em outubro. Na ocasião, Krens almoçou com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampréia, e teve um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília. Também foi recebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo empresário Roberto Marinho, no Rio. Teve mais atenção que o rei da Espanha.Agora é hora do segundo turno. Acompanhado do arquiteto americano Frank O. Gehry, o executivo vai visitar, entre amanhã e o dia 12, as cidades do Rio, Salvador, Recife e Curitiba. Mas a verdade é que o Rio leva larga vantagem e Krens já confidenciou aos seus parceiros brasileiros - reunidos em torno da Associação Brasil + 500 - que está encantado com o Forte de Copacabana. Precisa apenas convencer o Exército a dividir seu posto avançado com um museu internacional, o que não parece tão difícil.O Nordeste receberia um segundo Guggenheim, uma versão reduzida, como está definido em um protocolo assinado entre Krens e Edemar Cid Ferreira, da Associação Brasil + 500. Na sexta-feira, o americano dá uma entrevista coletiva para jornalistas brasileiros no hotel Copacabana Palace, onde ficará hospedado.Em entrevista a Paul Lieberman, do Los Angeles Times Krens fala de sua noção de museu. Ele afirma que está tentando reinventar os museus como "plataformas de cultura". Para seus detratores, ele, na verdade, está mercantilizando os museus.Krens compara os museus de arte com parques temáticos e usa expressões de administração de empresas para transmitir suas idéias. "Você precisa de cinco divertimentos", conceitua. Entre esses cinco pontos, ele inclui a arte ("grandes coleções permanentes" e "grandes exposições especiais" são dois dos divertimentos), a noção da edificação museológica ("grande arquitetura") e dois conceitos de shopping center ("oportunidades para comer" e "oportunidades de fazer compras").Business man do setor de artes, 53 anos, 1 metro e 93 de altura, o administrador americano Thomas Krens dirige com um apurado faro comercial a Fundação Solomon R. Guggenheim, de Nova York, há 13 anos. Até o ano passado, nunca estivera na América Latina e nunca ouvira falar na Bienal Internacional de São Paulo.Formado em administração em Yale, ele divide as opiniões. Quando expôs motocicletas no Guggenheim de Nova York, a revista New Republic definiu a avant-premire como "um dia negro na história dos museus". Uma editora da revista InStyle, porém, o classificou como "um revolucionário".Quem pensa que só brasileiro bajula Krens está enganado. Em junho, ele recebeu um prêmio na Bienal de Arquitetura de Veneza, o título de "patrono da arquitetura". Era mais um lance de um lobby italiano, já que o Guggenheim está planejando construir um novo museu em Veneza.O projeto do museu em Veneza é do arquiteto Vittorio Gregotti e deverá ser inaugurado em 2003, para abrigar a coleção Peggy Guggenheim, que já tem museu na cidade, no Grande Canal.

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