Aberta a temporada de caça à pechincha

A garota saiu de trás de uma arara de roupas metida num singelo vestido cor-de-rosa, de alcinhas, com babadinhos na barra da saia, provocando a gritaria das mulheres do salão. "Que liiindo!" e "Também quero!" foram as frases mais ouvidas. Minutos depois, seis ou sete delas exibiam a mesma roupa, mirando-se orgulhosas no espelho do ateliê de André Lima. Em outubro o estilista realizou um bazar com peças de coleções antigas, antecipando-se à época de bazares que sempre antecede as festas de fim de ano. Mas a hora é agora: a um mês do Natal está aberta a temporada da histeria - ou das megaliqüidações (confira o roteiro dos bazares).Há grifes que realizam bazares individualmente - como a G, de Glória Coelho, e a Levi´s, de jeans -, e também as que se reúnem em grandes eventos beneficentes. Mas, para se dar bem em qualquer grande liqüidação, é bom tirar lições de experiências prévias - como a presenciada na loja de André Lima.Comprar é contagioso. E num ambiente onde as ofertas pululam e se vê todo mundo abrindo a carteira, pode-se acabar levando para casa algo de que não se precisa (um exemplo é a roupa que cai melhor na pessoa que sonhamos ser do que em nós mesmos). O melhor é ter em mente os objetivos de compra, nas mãos a lista de presentes, e diante de uma tentação desnecessária fechar os olhos e repetir o mantra: "Pechinchas sempre haverá".Outra providência antes de calçar o sapato baixo para enfrentar um bazar (por causa do esforço é melhor evitar os saltos, a não ser que se vá experimentar roupas de festa) é verificar se o lugar oferece ou não provador. Em alguns deles, é preciso trocar de roupa na frente dos outros consumidores, homens e mulheres juntos, ou enfrentar a fila do banheiro transformado em vestiário. Por isso, é recomendável escolher com atenção a lingerie que se vai usar - e exibir, em alguns casos - e de cara demarcar o território de seu esconderijo atrás de caixas de papelão e cabides.Providencial também é garantir a simpatia de uma vendedora logo que chegar. Não raro é preciso brigar por uma peça, aquela maravilhosa e quase única na numeração, e numa situação assim nada melhor do que contar com a ajuda de alguém com trânsito no estoque.E, para as mulheres, o mais importante: é mais seguro visitar as liquidações desacompanhadas. Maridos e namorados são ótimos para ajudar a carregar sacolas, mas a demora e a agitação feminina no ato da compra (no bazar de André Lima houve quem estabelecesse diálogos com as roupas, "conversando" sem se dar conta da presença do parceiro) podem provocar a falência da relação. Uma das clientes de André teve que ir pra casa de táxi, deixada pelo marido impaciente. Mas tudo deve ter acabado bem - ele deixou os cheques.

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