Aberta a 20.ª Bienal, com Espanha como país convidado

Ministro da Cultura da Espanha, Molina Sánchez, confirma interesse das editoras espanholas pelo Brasil

Antonio Gonçalves Filho,

14 Agosto 2008 | 14h14

Não é uma delegação, mas uma verdadeira missão espanhola a que veio prestigiar a 20.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, aberta ontem ao público com as presenças do ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, do governador do Estado, José Serra, e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. País homenageado no evento, a Espanha mandou seu ministro da Cultura, César Antonio Molina Sánchez, e um grupo de editores que, acompanhados pelo embaixador espanhol no Brasil, Ricardo Peidró, mostraram a que vieram.   Veja também:    20.ª Bienal do Livro em SP começa nesta quinta   Veja mapa da 20.ª Bienal do Livro de SP      Molina não escondeu em seu discurso o interesse que as editoras espanholas têm não só de publicar autores brasileiros como de se associar a empresas brasileiras, atraídas pelo crescimento do mercado (10% ao ano) e pela possibilidade de expansão de negócios de grandes grupos editoriais espanhóis.   Segunda feira internacional de livros no mundo, a de São Paulo ainda não tem o prestígio da Feira de Frankfurt, onde são fechados negócios milionários com autores de best-sellers, mas os espanhóis, por exemplo, sabem o que pode significar o crescimento de um segmento como o da literatura mediana. Em seu discurso, o ministro da Cultura espanhol , que também é escritor - seu mais recente livro é El Rumor del Tiempo (2006) -, enfatizou o número de edições de dois escritores muito populares em seu país, Jorge Amado (85) e Paulo Coelho (169), não esquecendo de mencionar o número de livros (1 milhão) produzidos por dia no país.   Esta, portanto, tem de ser uma bienal de números. Deve provar não só aos espanhóis que o negócio do livro no Brasil é lucrativo. Todas as câmaras de livro importantes da América Latina que vieram participar do 7.º Congresso Ibero-americano de Editores estão presentes na Bienal do Livro. A Câmara Brasileira do Livro (CBL), que organiza a bienal, conseguiu R$ 3,5 milhões de patrocinadores e deve atrair 800 mil visitantes, segundo a presidente da CBL, Rosely Boschini. Ela entregou ao ministro da Cultura um manifesto, assinado por escritores, editores e livreiros, solicitando a recriação da Secretaria Nacional do Livro, extinta em 2003 pelo MinC. Essa secretaria substituiu o Instituto Nacional do Livro, desmontado durante o governo Collor.   O ministro Juca Ferreira recebeu o manifesto calado, mas não perdeu a oportunidade de criticar os editores pelo alto preço do livro no Brasil, pedindo que eles pratiquem preços "compatíveis com os padrões de consumo dos leitores brasileiros". O governador José Serra lembrou que seu governo gastou R$ 80 milhões na compra de livros não-didáticos. Sem recursos federais, esclareceu.  

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