Abaporu para menores

A começar pelo nome, o espetáculo Vila Tarsila já diz logo a que veio. Em seu novo trabalho coreográfico, as diretoras Miriam Druwe e Cristiane Paoli Quito embrenharam-se pela história de Tarsila do Amaral e de lá tiraram o fio condutor para mais uma montagem dedicada ao público infantil.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

Com estreia marcada para hoje, no CCSP, a obra da Cia. Druw revira questões biográficas e estéticas da artista modernista. Ainda que não haja um enredo propriamente dito, uma linha dramatúrgica pincela episódios da vida da pintora, reminiscências da fazenda em que cresceu e, particularmente, seu grande apreço pelas viagens.

Foi em dezenas de cadernos que Tarsila registrou paisagens e detalhes do que observou em suas andanças pela Europa, Oriente Médio e pelo interior do Brasil. "Percebemos que essas viagens nos ofereciam uma chave para o seu mundo subjetivo", diz Miriam, que, além da concepção, responde pela direção-geral da montagem. "Conhecendo outros lugares, se alimentando constantemente do mundo, ela tornava o seu olhar sobre o Brasil ainda mais forte."

É assim que um passeio pela modernidade explosiva dos anos 1920 ou pela forte influência francesa do período termina por desembocar em símbolos da iconografia de Tarsila.

À cena, são levados cactos, casinhas coloridas, flores de manacá e figuras marcantes como a do Abaporu, que os bailarinos representam em desajeitados movimentos de pés e mãos gigantes.

Natalia Mallo assina a trilha sonora de tonalidades antropofágicas, na qual lança mão de uma miríade de referências. "Misturo elementos tipicamente brasileiros, como as modinhas de viola, a temas do jazz francês, tango e influências eruditas de Villa-Lobos e Béla Bartók", comenta a compositora argentina, mais conhecida por sua atuação como vocalista do grupo Trash Pour4.

Vila Tarsila marca a segunda parceria de Miriam e Cristiane voltada a plateias infantis. Em 2008, a dupla apresentou Lúdico, uma criação que traduzia em movimentos as linhas, os pontos e as cores das telas abstracionistas de Kandinsky.

"Não é preciso interagir o tempo todo só porque tratamos com crianças. Elas estão preparadas para a contemplação", pontua Cristiane. "Existem escolhas a serem feitas quando se fala com esse público, mas o importante é não subestimá-lo nunca."

VILA TARSILA

CCSP (324 lugares). Rua Vergueiro, 1.000, 3397-4002. 5ª a dom., 15 h. Grátis - retirar ingressos 1 h antes. Até 6/6.

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