A volta por cima de Giulia Gam

No final do ano passado, o autor Manoel Carlos telefonou para Giulia Gam e a convidou a integrar o elenco de Mulheres Apaixonadas, cujas gravações teriam início em janeiro. O autor disse apenas que a personagem se chamaria Heloísa, que seria a mais nova entre três irmãs e apresentaria, vez ou outra, um acesso de ciúmes. "Por enquanto, é isso. Mas confie em mim, você estará em boas mãos", limitou-se a dizer o autor.Pela primeira vez na sua carreira, Giulia confiou em um convite e, sem ler as sinopses ou qualquer capítulo já escrito, aceitou o papel. Com o tempo, viria a descobrir que Manoel Carlos havia sido extremamente sutil: o problema de Heloísa não eram bem as crises de ciúmes - ela era a personificação do ciúme, com toda a revolta e piedade que o sentimento costuma suscitar. Mas se Heloísa tinha um problema, tinha também um dom - o de ser o veículo perfeito para trazer de volta às novelas o talento visceral de Giulia Gam.Em Mulheres Apaixonadas, Giulia Gam não só interpreta: ela promove eventos. A cada vez que sua personagem surge na tela o público pode esperar por brigas, facadas, acidentes de automóvel, lágrimas e perdão. "Depois de tudo que passei na minha vida nos últimos tempos, eu estava precisando viver uma camponesa tranqüila", disse a atriz na tarde de ontem, após uma aula de natação que serviu para acentuar os sintomas de uma sinusite. "Mas o Manoel Carlos resolveu me presentear com uma mulher obsessiva. Espero estar dando conta do recado", afirma.Quando Giulia diz "tudo que passei na vida", leia-se o fim do seu casamento com Pedro Bial, a briga na Justiça pela guarda do filho Téo, uma crise de depressão e o afastamento da televisão. Um repertório que tornava inevitável a pergunta: Heloísa é Giulia Gam? "Não. Se eu consigo interpretar a Heloísa, é porque já consigo me distanciar dos meus problemas pessoais recentes. Não quero usar minha própria história para alimentar esta personagem. Mas reconheço que hoje eu consigo fazer a Heloísa melhor do que faria há cinco anos. Minha técnica se aprimorou, mas também sou uma pessoa melhor", revelou a atriz que, na sexta-feira, chega a São Paulo para estrear a peça Os Sete Afluentes do Rio Ota, superprodução de Monique Gardenberg que vai ocupar o palco do Teatro Sesc Anchieta.Leia entrevista com a atriz.

Agencia Estado,

04 de junho de 2003 | 10h29

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