A volta para casa, tema antigo como a própria humanidade

Crítica: Luiz Zanin Oricchio

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h10

Avaliação: BOM

O que se pode dizer da animação dirigida por Steve Martino e Mike Thurmeier é que se trata de entretenimento de boa qualidade. Não apenas visual, bem utilizando os recursos da computação gráfica e do 3D, mas também com certa inventividade de enredo, o que faz com que consiga, vez por outra, escapar ao lugar-comum.

Um dado a ser considerado nesse tipo de produto: o chamado clichê, em filmes destinados ao público infantil, se justifica em parte porque existe certa intolerância à variação muito radical nos temas consagrados. Faça a prova. Tente contar ao seu filho pequeno uma história do jeito diferente daquela que ele está acostumado e verá a reação. Então, há estruturas a serem preservadas e os grandes estúdios sabem disso melhor do que todos nós juntos. Por isso estão ricos.

Mas alguma variação é sempre bem-vinda, e mesmo necessária sempre que um produto se anuncia na praça como novo. O desafio será então reinventar o mesmo e, para isso, o grande acervo de histórias da humanidade está aí mesmo à disposição de quem quiser se utilizar. Permitem inovar sem causar a estranheza da mudança muito radical. Por isso, A Era do Gelo 4 vai beber numa das mais antigas histórias, a Odisseia, de Homero. É desse jeito que o trio de protagonistas - Manny, Diego e Slid, e mais alguns agregados - tentará a volta para casa, depois da catástrofe que provocou a cisão dos continentes na Terra: refazendo os passos de Ulisses, em seu retorno para uma improvável Ítaca.

Para tanto, até navios de piratas e os cantos de sereias os heróis terão de enfrentar para se reunirem às suas famílias. Criativo, mas lógico que um pouco de pieguice faz parte da fórmula já consagrada.

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