A volta do justiceiro

Mais uma parceria entre Russell Crowe e o diretor Ridley Scott, Robin Hood abriu o festival de Cannes e estreia amanhã no País

Luiz Carlos Merten, ENVIADO ESPECIAL / CANNES, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

Para uma edição que já criou a fama de radicalmente autoral e alternativa, o festival de Cannes 2010 não poderia ter começado com glamour mais tradicional. Dois dos maiores astros(e estrelas) de Hollywood - e do mundo - deram o ar da graça na soirée de abertura. Russell Crowe, saudado por Vanity Fair, em sua capa de maio, como o maior ator vivo - the greatest actor alive - e sua leading lady, Cate Blanchett, defenderam, com pompa e circunstância, as cores de Robin Hood. O cinema contou muitas vezes a saga do fora-da-lei da floresta de Sherwood, que roubava dos ricos para dar aos pobres. O diretor Ridley Scott e o roteirista Brian Helgeland parecem ter estabelecido um roteiro do que evitar, na sua abordagem da conhecida história. O Robin Hood deles é uma "prequel", contando o que ocorreu "antes" do que aquilo que o público está acostumado a ver nas outras versões. E o filme é (muito) bom, como você poderá confirmar a partir de amanhã no Brasil.

O grande ausente na festa de abertura foi justamente o diretor, Sir Ridley Scott, que assina aqui seu quinto filme com o astro Crowe, após Gladiador, O Bom Ano, Gângster Americano e Rede de Mentiras. O cineasta fez uma operação no joelho e não está se recuperando com a agilidade que gostaria - ou que lhe permitiria pisar no tapete vermelho do maior evento de cinema do mundo. Crowe disse que o objetivo de ambos foi mostrar o Robin Hood desconhecido, projetando-o num quadro histórico acurado. Parece uma contradição, porque existem dúvidas se Robin realmente existiu. Existiu um bandido - um bandoleiro - na floresta de Sherwood, mas foi Hollywood que esculpiu a lenda.

Em 1922, Douglas Farbanks empunhou o arco (e a flecha) do herói. Se Robin Hood não existiu, afirma o historiador especializado na Inglaterra do século 12, Thomas Hohn, o cinema norte-americano o teria inventado, de qualquer maneira. A apropriação do herói inglês por Hollywood fez dele um ícone da cultura popular em todo o mundo. "O que nós fizemos foi dar-lhe um quadro histórico e uma motivação", esclareceu Crowe na coletiva, realizada logo após a projeção para a imprensa.

Crowe ostenta a fama de turrão. Bebe muito e é temperamental, volta e meia agredindo - verbal e até fisicamente - os jornalistas. Ele bebeu muita água durante a entrevista - e empunhava a garrafa, fazendo pose, como quem realmente quisesse ser fotografado assim. Interrogado sobre contra o quê Robin se rebelaria, se por acaso vivesse na atualidade, provocou - "É possível supor que talvez se rebelasse contra Wall Street e a concentração do poder e do dinheiro nas mãos de poucos, mas eu prefiro acreditar que tomaria posição contra a manipulação da imprensa."

O HERÓI EM TRÊS VERSÕES

1. A Louca, Louca História de Robin Hood (Mel Brooks, 1993). Aqui, a história do bom ladrão é subvertida pela imaginação cômica de Mel Brooks, que não poupa a lenda e desconhece o politicamente correto.

2. Robin e Marian (Richard Lester, 1975). Versão mais puxada para o romântico, com Sean Connery e Audrey Hepburn fazendo Robin e Marian. Depois de desventuras, o casal se une, uma vez mais.

3. Robin Hood, Príncipe dos Ladrões. (Kevin Reynolds, 1990) Kevin Costner faz Robin, que volta das Cruzadas para vingar a morte do pai e cai nos braços da doce Marian (Mary Elizabeth Mastrantonio).

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