A volta do Fleet Foxes

Em 2009, Robin Pecknold e seu Fleet Foxes ganharam uma legião de seguidores com um tipo de folk quase sacro. Harmonias vocais evocavam motetes renascentistas e música de raiz da Appalachia americana, uma mistura própria para um batismo ou um ritual de purificação. Era comedido, quase erudito, e o som certamente agradou aos pais da molecada que lotou os shows da banda.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2011 | 00h00

Passados dois anos de sucesso, as mudanças são sutis e a receita continua eficaz. Pecknold parece ter perdido um pouco da luminosidade de outrora, o que não é, nesse caso, um ponto fraco. Helplessness Blues tem o mesmo melindre harmônico de Fleet Foxes com suas melodias acompanhadas a violão, rabeca e duas, às vezes três vozes, mas o tom é mais mundano. Em vez de batas brancas, a música traja à paisana. Lembra Crosby, Stills, and Nash, Simon e Garfunkel e chega mais próxima da calçada do que do altar.

Isso fica claro em Battery Kinzie, com sua melodia que remete a cantigas pastorais inglesas, mas também em The Shrine/An Argument, faixa que envereda pelo free jazz. Ao centro das canções está o belo tenor de Pecknold, que carrega as melodias com uma pitada de melancolia. Helplessness Blues sai terça-feira, mas já está disponível para streaming.

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