A volta de Dona Doida

Após jejum de 11 anos, a poeta mineira Adélia Prado lança A Duração do Dia

Entrevista com

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2010 | 00h00

Desde 1999, quando publicou Oráculos de Maio, a poeta Adélia Prado não lançava um livro de poesias. O jejum termina nesta semana, quando a editora Record envia para as livrarias A Duração do Dia (112 páginas, R$ 27,90), no qual ela novamente escreve para manter um diálogo com Deus - em seus versos, estabelece-se uma ponte com a transcendência e uma crença na perenidade da carne e na eternidade da alma. Maior poeta brasileira viva, ao lado de Ferreira Gullar e Manoel de Barros, Adélia tanto flerta com a metafísica como se atém aos detalhes do cotidiano mas, acima de tudo, aposta na grandeza das pequenas coisas.

Nascida em 1935 em Divinópolis, cidade mineira onde mora até hoje, Adélia trabalhou como professora durante anos até se formar em Filosofia. Os primeiros versos foram escritos quando estava com 15 anos mas o primeiro livro, Bagagem, só surgiu quando estava com 40. O tempo de maturação foi essencial, pois a obra recebeu as boas vindas de Affonso Romano de Sant"Anna e Carlos Drummond de Andrade. Soma agora oito títulos de poesia, versos que traduzem o sagrado no cotidiano e que inspiraram Fernanda Montenegro a montar o monólogo Dona Doida, em 1987, com poemas colhidos em sua obra.

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