A volta de "A Marca da Maldade"

O Telecine Classic exibe hoje uma surpresa: a cópia restaurada do clássico A Marca da Maldade. A versão conhecida foi completamente adulterada pelos executivos da Universal Pictures, que não gostaram do resultado final apresentado pelo mestre Orson Welles. Seria como se uma datilógrafa resolvesse alterar os versos de um poema de Carlos Drummond. Eles simplesmente reescreveram trechos, refilmaram cenas (feitas pelo medíocre assistente Harry Keller) e reeditaram o filme, sem a presença de Welles, que já estava captando recursos para o inacabado Don Quixote. Foram inseridas cenas de diálogos para explicar o que eles achavam que não estava claro. Hoje se vê que tudo estava claro, e com muito mais ritmo. Welles nunca entendeu por que o estúdio se voltou contra o filme e, depois de assistir à cópia reeditada, escreveu uma carta de 58 páginas, aceitando algumas mudanças, mas pedindo que outras fossem reconsideradas. Não foi ouvido, mas, 40 anos depois, a dupla Bob O´Neil e Rick Schmidlin encontrou a carta e resolveu remontar o filme seguindo as instruções de Welles, acrescentando cenas que estavam nos arquivos da Universal. Logo de cara, o espectador já percebe a diferença. Os letreiros de abertura foram eliminados e as longas cenas iniciais, que envolviam Charlton Heston e Janet Leigh, foram divididas e intercaladas. Assim, o espectador passa, como Welles queria, a sentir que elas ocorriam simultaneamente. Na década de 70, circulou em vídeo uma versão dita restaurada, mas que continha apenas algumas cenas extras. O Telecine exibe às 21 h um making of e às 22 h, o filme na integra. Não perca.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2001 | 10h41

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